Messus: Segunda Aula

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Mensagem por Cunobelinos em Seg Abr 02, 2018 7:20 am

Tópico para as impressões do exercício meditativo da Segunda Aula.
Também pode ser utilizado para descrever o processo de criação da própria Slattâ Druwidos
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A Árvore e a visão do Espírito

Mensagem por Raíza Klippel em Ter Abr 24, 2018 6:40 am

Boa noite pessoal, vim registrar minhas impressões desse primeiro exercício referente à segunda aula.

Fiz o exercício no Parque do Carmo, que é relativamente perto da minha casa, e escolhi uma árvore que na verdade já é velha conhecida. Infelizmente não sei e pesquisando não consegui descobrir qual é a espécie dela, mas é uma árvore que me chama a atenção desde que eu ia ao parque quando era criança pq aos meus olhos ela sempre pareceu um Ent - certeza que ela vai sair andando a qualquer momento haha.
Me sentei de frente para a árvore, encostada em outra, e sinto que consegui me concentrar relativamente rápido, pois essa área do parque é geralmente vazia e eu estava totalmente no silêncio. O único som era o do vento nas árvores. Em pouco tempo entrei num padrão curto de respiração, o que foi bastante curioso, pq apesar de sentir pouco ar entrando na inspiração, essa respiração era totalmente suficiente e não ofegante.
Visualizo a Árvore no limiar de um bosque denso; do lado esquerdo está o bosque escuro, e do lado direito há colinas verdes e ensolaradas. Toco seu tronco, sinto a aspereza e sinto o cheiro da vegetação. Seu galho mais longo se inclina e os galhos mais finos tocam o chão.
Vejo-me tornar uma pequena árvore ao seu lado, meio que protegida por sua sombra, e a sensação mais presente é a de ter também galhos longos e finos balançados pelo vento. Sinto a terra fria ao redor das raízes e o calor do sol nas folhas.
Agradeço a ela pela sombra, por ser minha guia, mas principalmente por me permitir conhecê-la há tanto tempo.
Quando inspiro profundamente e abro os olhos novamente, percebo que estava muito mais imersa do que imaginei que estaria.
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Awenâ: o Chamado

Mensagem por Raíza Klippel em Sex Abr 27, 2018 4:54 am

Nesse exercício percebi que a respiração entrou no mesmo ritmo e frequência do exercício anterior. Ao começar a entoar a Awen, percebo que a vibração da voz toma conta do corpo todo e isso ajuda no processo de relaxamento e imersão no exercício.
Me vejo sentada no mesmo local do exercício anterior; há um bosque denso e escuro do lado esquerdo, e colinas verdes do lado direito. O céu é claro e ensolarado, porém o clima é fresco. Visualizo os raios da Awen descendo primeiro sobre mim, e depois sobre a questão que coloquei em minha frente, até que a luz tomasse conta de tudo.
Não me preocupei com o tempo, então realmente não sei quantas vezes entoei a Awen até sentir alguma inspiração ou até o final do exercício. A "resposta", ou inspiração, que veio para mim foi inesperada (por mais que a gente evite, sempre há alguma expectativa). A resposta foi dar as mãos ao meu problema, aquietá-lo, e pedir que a inspiração ocorra a ele também. Entrar em equilíbrio e harmonia com essa questão, esse é o caminho.
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Awenâ: a Imersão

Mensagem por Raíza Klippel em Seg Maio 07, 2018 4:47 am

Realizando esse exercício, a sensação que prevaleceu durante e depois foi uma espécie de luto pelos nossos povos indígenas que foram tão explorados, massacrados e marginalizados. Antes do exercício, eu estava preocupada em não conseguir manifestar artisticamente minhas sensações ou reflexões, e o que aconteceu foi bastante curioso. Assim que terminei a imersão e abri os olhos, me veio à mente uma música do Nightwish que eu não ouvia há muuuitos anos, simplesmente por ser uma daquelas que não é tão "importante" em um álbum e por isso ela acabou caindo no esquecimento. Imediatamente eu fui ouvir a música de novo, dessa vez prestando atenção especial à letra, e eis que ela fala exatamente sobre isso: povos nativos perdendo os direitos sobre suas próprias terras e sua cultura, mas fala também sobre como esses povos resistem e encontram sua paz.
A música foi gravada em colaboração com o John Two-Hawks, que é um cantor indígena norte-americano da tribo Lakota. Vou deixar aqui uma tradução livre da letra, e também o link de um vídeo interessante que achei que une a música com cenas da série Into the West.

https://www.youtube.com/watch?v=FB6nCwoVCYw

Logo eu não estarei mais aqui
Você ouvirá minha história através do meu sangue
Através do meu povo e do lamento da águia
O urso interior nunca vai descansar

O homem branco veio
Viu a terra abençoada
Nós cuidamos, vocês tomaram
Vocês lutaram, nós perdemos

Não a guerra, mas uma luta injusta
Paisagens belamente pintadas em sangue

Vagando na estrada do horizonte
Seguindo o rastro de lágrimas
Estivemos aqui uma vez
Onde vivemos desde que o mundo começou
Desde que o próprio tempo nos deu essa terra

Nossas almas irão unir-se novamente ao selvagem
Nosso lar em paz e guerra e morte

Eu ainda sonho todas as noites
Com aqueles lobos, mustangs*, aqueles prados infinitos
Os ventos inquietos sobre os topos das montanhas
A fronteira intocada dos meus ancestrais
A terra sagrada do Grande Espírito
Eu ainda acredito
Em todas as noites
Em todos os dias
Eu sou como o caribou**
E vocês são como os lobos que me fortalecem
Nós nunca lhe devemos nada
Nossa única dívida é uma vida para com a nossa Mãe
Foi um bom dia para cantar essa canção para Ela

Nosso espírito estava aqui muito antes de vocês
Muito antes de nós
E aqui continuarão por muito tempo depois que o seu orgulho lhe conduza ao seu fim

*Mustang: cavalos selvagens dos Estados Unidos
**Caribou: um tipo de veado norte-americano

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Depois dessa obra de arte, nem tem mais o que ser dito né? Me arrepio inteira toda vez que ouço essa música agora. Espero que aproveitem!
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Embirannâ Marâ

Mensagem por Raíza Klippel em Ter Maio 15, 2018 6:27 am

Pela primeira vez, nesse exercício, senti que consegui imergir totalmente na meditação, perdendo quase que totalmente a noção do mundo real ao meu redor.
Depois de ritmar a respiração, comecei a entoar as palavras (Nemos, Mori, Talamû), uma de cada vez, enquanto tomava consciência da presença de cada Reino no meu corpo. Mas o momento total de imersão veio mesmo quando continuei entoando os Reinos, porém tomando consciência deles ao meu redor. Aos poucos senti como se eu mesma fizesse parte de tudo, como se eu fosse a própria Axis Mundi. A metade superior do meu corpo era leve e se estendia até a atmosfera e além. A região do umbigo era fria e ao redor de mim estava toda a água do mundo. A parte inferior do meu corpo era pesada e quente, e era como se estivesse enterrada e atingisse o interior da Terra.
Quando comecei a entoar também a Òram Mòr, atingi uma grande sensação de unidade. Conseguia sentir todos os Reinos em mim e ao meu redor. Não senti uma inspiração sobre algo que devesse ser harmonizado ou equilibrado. Mas, senti um calor e muita energia acumulada nas mãos, e uma necessidade de direcionar essa energia para algo. Me levantei, continuei entoando as palavras e depositei essa energia no meu galho de Carvalho com o qual farei minha Slattâ Druwidos, carregando-o.
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O Dânus Pessoal

Mensagem por Raíza Klippel em Qui Jun 14, 2018 7:09 am

Bom, nesse exercício eu fiquei um pouco em dúvida sobre como eu registraria minha resposta aqui sem precisar entrar em muitos detalhes. Sinto que pessoalmente, internamente, o exercício deu resultados muito bons. Algumas fichas caíram, registrei minhas impressões e pensamentos em detalhes logo depois do exercício, e toda vez que leio novamente o que eu escrevi, é como se um novo significado surgisse ou uma nova ficha caísse. Então foi bem produtivo.
Acho que em linhas gerais, respondendo algumas perguntas propostas pelo Wallace no texto, percebi dois fatores principais:
1) Certamente estou sabendo lidar um pouco melhor comigo mesma nos momentos de baixa da vida, no sentido de ser sábia, conhecer o que me faz mal e saber me afastar dessas coisas. Prezar pela minha saúde mental. Aka, sendo menos trouxa Wink
2) Sinto que em todos os âmbitos da vida estou um pouco à deriva, como se tudo que está ao meu alcance de ser feito já está sendo feito, e o que me resta agora é confiar de que estou nos caminhos certos e ver pra onde a maré me leva. É uma sensação um pouco angustiante a de simplesmente esperar ser levada pelos resultados das minhas ações, mas ainda assim sinto que devo confiar e continuar nos caminhos em que estou.
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