Messus: Primeira Aula

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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Qui Dez 17, 2015 5:03 am

Maycow Guimarães escreveu:1. Por que nos identificar com os Celtas? Isto é, por que nos identificar com uma cultura europeia da Idade do Ferro, que possuía tantas características ditas como 'bárbaras', quando vivemos em um mundo tão diferente daquele em que eles estiveram? Essa pergunta deve ser respondida após a leitura do primeiro capítulo cedido pelo instrutor.

Como nem mesmos os povos chamados de celtas se identificam como tal, e inclusive seus descendentes sanguinios atuais que vivem na Irlanda,  Escócia, Países de Gales, Inglaterra, Suíça e demais países é estreita essa condição de identificação ou sentimento de pertencer. Acredito que do que sobreviveu na música, na mitologia, na história e na fantasia do imaginário Celta seja nossa primeira relação com essa identificação ou apreço por esse conjunto, após essa "relação" inicial de atração passamos a pesquisar, compreender e tentar assimilar coisas como cultura, honra, sacrifícios, morte, ancestralidade, uma ecologia sagrada, a divinação das coisas e seres; e outros aspectos pertencentes a todo um conjunto de povos que foram orientados como celtas, hoje fazemos uma co relação destas condições, do que sobreviveu, com os aspectos atuais de espiritualidade, cultura e sociedade.


2. Qual o papel dos Druidas (e outros seguidores dos caminhos eruditos da espiritualidade céltica) no mundo moderno? Como passar a tradição adiante no mundo contemporâneo? Sabendo que os Druidas (e outros membros da casta erudita) eram os responsáveis pela disseminação da tradição entre as tribos celtas, e que eles eram diferentes em lugares e épocas diferentes, qual deve ser o seu papel no mundo moderno? Como essa tradição deve ser passada?

A responsabilidade de quem possui a informação é absolutamente enorme, visto que este indivíduo se tornará a ligação entre esse mundo e o mundo dos celtas para com os estudantes e seguidores, todas as ferramentas possíveis e atuais de ensino devem ser utilizadas dentro da nossa atual realidade de informação, e aquele que se apresenta como um Druida deve explorar sua aptidão relacionada ao espírito celta seja ela na musica, na cura, na ritualização, no xamanismo celta e trabalhar de maneira mais dinâmica e prestativa o possível junto aos membros do grupo, da sociedade, do pais e para o mundo como um todo pois acredito que é isso que os druidas realizariam. A tradição deve ser passada de acordo com os objetivos dos elders do grupo, seja por treinamento, grupos de estudos on line, grupos físicos, com posteriores iniciações ritualizadas ou não, com indicações de graus ou não, conforme as possibilidades e desejos da tradição, do grupo dos Deuses.

Boa noite, Maycow, desculpe a demora, mas os preparativos para o Solstício de Verão estão tomando muito do meu tempo. Mas vamos às suas respostas:

[1] Muito boa essa colocação. A identificação plena com os Celtas da Idade do Ferro é inexistente, e mesmo os seus povos descendentes guardam pouco disso. A nossa identificação com os povos Celtas se dá no âmbito da espiritualidade e dos valores, simplesmente por fazerem sentido e falarem a nosso espírito, mas sempre vistos (e talvez 'revistos') sob a ótica contemporânea. Parabéns.

[2] Perfeita a sua observação. Com a responsabilidade de passar uma tradição tão fragmentada e quase perdida adiante, o Druida, o portador do conhecimento, não pode se olvidar de utilizar todas as ferramentas ao seu alcance. Só assim ele pode alcançar a maior parte dos estudantes dispostos a aprender, mesmo os moram em lugares distantes. Também a utilização de suas ferramentas práticas e natas é parte daquilo que é levar o Druidismo adiante, pois toda espiritualidade cresce com a experiência pessoal de seus propagadores, desde que essas habilidades sejam postas em favor da comunidade.

Parabéns!
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Seg Dez 21, 2015 6:13 pm

pedrodobbin escreveu:DEsculpe-me a demora, questões pessoais me fizeram ficar um pouco ausente.

Eis minhas respostas:

1. Embora seja uma cultura antiga e dita bárbara, a cultura celta possuía alguns valores que nos faltam na sociedade atual: as noções de honra, hospitalidade e respeito á natureza, por exemplo.

2. O papel do druida é muito semelhante ao da época celta, exceto que hoje ele não tem mais a função de árbitro. Transmitir a conhecimento e a sabedoria, realizar o sacerdócio, creio que são as principais atividades do druida.

Boa tarde, Pedro, desculpe a demora. Vamos às suas respostas:

[1] Esse é exatamente o ponto, trazer de volta valores que foram esquecidos pela nossa sociedade e que possam trazer uma mudança positiva a ela.

[2] Sua conclusão é satisfatória, pois essas são realmente as funções do Druida hoje, tais como foram antes. Apenas atente-se ao fato que a tradição preserva muitos dos aspectos do mundo antigo que podem não ser apropriados aos tempos modernos. Portanto, é necessário que o Druida tenha a consciência do andar do tempo e saiba como leva-la adiante, se não em sua prática literal, ao menos com seus significado simbólico e espiritual, mesmo dentro do mundo moderno.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Seg Dez 21, 2015 6:22 pm

Megghan escreveu:1. Questao:Talvez justamente por ser uma cultura tão diferente da nossa que tenha me fascinado. O Brasil é um país jovem e tem uma cultura bastante miscigenada e isto é uma vantagem enorme para que nós estejamos abertos a conhecer algo que  é totalmente diferente daquilo a que estamos acostumados. O que me chamou bastante a atenção no texto, foi a posição das mulheres na sociedade céltica, completamente diferente das outras sociedades da época, como na sociedade grega e romana por exemplo.   Os valores de honra, respeito e hospitalidade, me lembraram do tempo em que a palavra era suficiente, valores hoje totalmente esquecidos na sociedade moderna. A ligação, veneração e o respeito com a Natureza e seus fenômenos, não tem nada de bárbaro. E por ultimo, me impressionou bastante o espírito de não se render ao domínio de um outro povo/outra cultura, preferindo a morte do que ser dominado. Meio romântico, mas me chamou bastante a atenção, foi a primeira vez que li algo a este respeito.

2.Questao: A tradição se adapta ao tempo  e ao lugar sem perder a sua essência. Assim como antes, os druidas e eruditos de hoje se adapatam a sua época e ao local onde vivem para que a tradição seja mandtida. A natureza é diferente de um lugar para outro e deve ser sentida como tal, como um  organismo  único e ao mesmo tempo integrante do todo, com a sua sabeforia diferente de um lugar para outro, de uma cultura para outra, de um tempo para outro.

Boa tarde, Megghan, desculpe a demora. Vamos às suas respostas:

[1] Os valores da sociedade céltica (pelo menos, a maioria deles) são valores que andaram ausentes de nossa sociedade nos últimos anos; o grande valor dado à autonomia feminina (maior do que de qualquer sociedade da sua época), à honra, à própria palavra, à hospitalidade, todos são fatores que andam ausentes no nosso mundo atual, e que fariam muito bem a ele se fossem relembrados. O respeito à natureza, mais do que tudo, é um fator crucial, pois em um mundo onde ela é cada vez mais dessacralizada, é necessário que o ser humano aprenda a ver a Terra de forma passional, e não apenas como fonte de recursos a serem explorados. São as derradeiras lições da sociedade céltica à nossa cultura.

[2] Sua resposta foi perfeita, Megghan; assim o foi no passado, pelas diversas terras e épocas pelos quais os Celtas e Druidas passaram. Assim deve ser hoje.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Seg Dez 21, 2015 8:55 pm

Kalevi Duir escreveu:Primeiramente mil desculpas pois tive muitos problemas com a empresa da internet daqui de casa e fiquei meio "apertado" em relação ao meu emprego rs, mas vamos lá.
Se ficar um pouco confusa é por que estou respondendo rapidinho rs

Primeira questão: 1. Por que nos identificar com os Celtas? Isto é, por que nos identificar com uma cultura europeia da Idade do Ferro, que possuía tantas características ditas como 'bárbaras', quando vivemos em um mundo tão diferente daquele em que eles estiveram? Essa pergunta deve ser respondida após a leitura do primeiro capítulo cedido pelo instrutor.

Acredito que isso vem da alma, as vozes da cultura e do misticismo céltico estão vivos em cada balançar das folhas e do pulsar da terra, mas com o tempo esquecemos de ouvir a terra e os nossos ancestrais.
Os valores que por eles eram honrados e vividos de forma real hoje se tornam valiosos companheiros, principalmente o conceito de comunidade e o respeito a natureza que faz parte de nós e é sagrada, somos todos irmãos.

Segunda questão: 2. Qual o papel dos Druidas (e outros seguidores dos caminhos eruditos da espiritualidade céltica) no mundo moderno? Como passar a tradição adiante no mundo contemporâneo? Sabendo que os Druidas (e outros membros da casta erudita) eram os responsáveis pela disseminação da tradição entre as tribos celtas, e que eles eram diferentes em lugares e épocas diferentes, qual deve ser o seu papel no mundo moderno? Como essa tradição deve ser passada?

O papel do Druida é guiar, orientar, observar... No mundo moderno é manter a Tradição viva, deixando a essência  e utilizando as muitas ferramentas que temos a mão no mundo atual. Pois se hoje temos o conhecimento é certo de que a ferramente muda, mas o legado continua pulsante e vivo nos religando com tudo o que foi deixado de lado por ganancia.

Bençãos de Brighid /|\

Boa tarde, Kalevi, desculpe a demora; vamos às suas respostas:

[1] Uma colocação muito pertinente: aquilo que era o Sagrado para os Celtas está presente ainda, está presente na Natureza, e se esses aspectos falam à nossa alma, como fizeram com eles, não há razão para buscarmos outras razões. A busca pelos valores (principalmente de respeito à natureza) ainda é um dos pontos culminantes do Druidismo, de tornar os seus membros pessoas mais honradas e honoráveis, e membros ativos da comunidade.

[2] Sua resposta pode ser considerada perfeita pelo trecho: "Pois se hoje temos o conhecimento, é certo que a ferramenta muda, mas o legado continua pulsante e vivo"; é exatamente isso. Muitas das ferramentas do mundo antigo não estão mais acessíveis ou não são mais necessárias, enquanto muitas novas ferramentas surgiram. O Druidismo, enquanto espiritualidade da Terra, não deve se lamentar pela passagem do tempo, e onde o conhecimento humano for falho, é para a Terra que ele se volta para seu aprendizado.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Ter Dez 22, 2015 5:51 am

Luciana Cavalcanti escreveu:1) Por que me identificar com os Celtas? O que realmente posso aprender com eles para minha vida?
R: Os celtas me chamaram atenção, ao fim da minha busca por uma religião que fizesse sentido quando encontrei as religiões antigas, desde o início dos meus estudos sobre religiões pagãs, pelo mesmo motivo que os nórdicos, e aos poucos foram se sobressaindo, os relatos de heroísmo e bravura dentre outras virtudes que se destacavam, mesmo para seus inimigos. Conforme me aprofundei, percebi que esses valores e outros eram sempre mencionados, apareciam na mitologia, nos relatos romanos. Em um mundo sempre inconstante, de migrações, alianças efêmeras, invasões, eles mantinham sua constância nesses valores, isso me comoveu. Percebi que esses valores, firmeza de caráter, coragem, honra, religião  ligada ao natural, eram ainda necessários e valiosos na sociedade contemporânea, no meu dia a dia.Era enfim um religião que fazia sentido, e não que eu tinha que me adaptar, forçar. O que realmente posso aprender com eles, é manter o foco nos valores que me norteiam independente das variáveis e inconstâncias da vida, são os valores que permanece, quando tudo mais se esvai, a ter atitudes condizentes com o que se fala e a praticar uma religião que tenha influência concreta no mundo.

2) Qual deve ser o papel dos Druidas (e outros eruditos) do Druidismo moderno? Como passar essa tradição a frente em um mundo tão diferente?

R:O papel do druida atual, na minha opinião, é o da manutenção da tradição e da organização da comunidade “céltica” local.Manter a tradição não seria fazer julgamentos e colher visco como outrora, mas determinar aquilo que nos faz celta hoje e trabalhar em prol da disseminação e preservação desses valores e saberes que chegaram a nós, sempre, claro, inspirados pelos celtas originais. A tradição não é formada de mimetismo do passado, mas daquilo que nos é pertinente ainda hoje, e daquilo que é novo e pode ser anexado de modo lógico a esse conjunto de saberes, com coerencia, de modo a ser a fonte de pesquisa e referencias daquilo que nos transforma em druidas, que na minha cabeça,hoje é ser alguém que consiga  interferir positivamente em nossas vidas, e busque se tornar influencias positivas em nossa sociedade.

Transmitir esses valores em um mundo tão diferente tem seus desafios, mas  aqueles que desencavaram os celtas das entrelinhas dos livros de histórias, com toda a dificuldade de informação, dentre tantas outras opções mais vastas, mais acessíveis, com toda a porosidade de dados, pra mim ”receberam o chamado”, já estão predestinados de alguma forma e sentem que parte de si ainda pertence, anseia  esse mundo céltico distante (onde valores se mantinham sob adversidades, espírito e caráter se fundiam, conduta e fé...) e buscarão adaptar esses valores ao mundo de hoje, seja pelos grupos druídico, blogs, livros, insights, cursos como for. Haverá os curiosos, os turistas da tradição, mas sempre haverá quem se comova com as virtudes norteadoras dessas sociedades e que as manterão vivas.

Boa noite, Luciana, desculpe a demora. Vamos às suas respostas:

[1] Sim, a busca por valores que foram abandonados (se não abertamente, ao menos na prática) por nossa sociedade é um dos pilares da espiritualidade céltica. Trazer tais valores a nossas vidas pessoais nos torna mais próximos dos Celtas, bem como nos torna membros atuantes mais responsáveis em nossa própria sociedade.

[2] Sua resposta se torna perfeita no trecho: " A tradição não é formada de mimetismo do passado, mas daquilo que nos é pertinente ainda hoje, e daquilo que é novo e pode ser anexado de modo lógico a esse conjunto de saberes, com coerencia,"; de fato, a tradição não é inscrita em pedra, mas é viva, mutante, e justamente por isso a pesquisa e o conhecimento sólido são importantes, pois é através deles que é mantida a essência da tradição, mesmo quando muito dos seus adereços e ferramentas externas mudam por época e lugar.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Sex Dez 25, 2015 3:02 am

Ariana Mauricio escreveu:Gente, só vi esse tópico hoje porque fui avisa por email pelo Wallace. Desculpem a pisciana =D

Lá vai, tá um pouco longo:

1.
Primeiro, é preciso nos livrar do termo “bárbaro” quando falamos de culturas não-clássicas, seja atualmente ou no passado, uma vez que esse foi um termo extremamente pejorativo cunhado para desclassificar sociedades que estavam fora do parâmetro clássico de civilidade. Aos olhos dos historiadores clássicos, a forma de organização dessas sociedades causavam estranhamento e, muitas vezes, eram incompreendidas.

Dito isto, então, não considero um paradoxo se identificar com uma determinada cultura, mesmo sendo ela muito antiga e considerada “bárbara”. Principalmente se seus ensinamentos são universais, atemporais e ainda contemporâneos. Portanto, reconhecer o modo de vida celta, suas virtudes, seus ensinamentos e jogar luz, historicamente falando, sobre seu passado é entender a história e mesmo a vida sob outra perspectiva.

Ainda hoje vemos exemplos de culturas indígenas no Brasil e no mundo sendo classificadas como não-civilizadas, provando que não é exclusividade dos celtas esta definição. O mundo contemporâneo está bem diferente do mundo da Idade do Ferro, principalmente em termos tecnológicos, mas seus dilemas continuam, em certa medida e dadas as proporções, os mesmos. Quando nos identificamos com os celtas, não estamos necessariamente nos identificando com o passado, mas com os seus valores.

P.S: Entretanto, não saberia responder o porquê de nos identificarmos com a cultura celta especificamente dentre muitas outras culturas antigas sem que faça alguma ressalva espiritual. Lembro-me que a cultura e religiosidade celta saltou-me os olhos muito antes da sua história, dos seus feitos e de seus costumes fazerem sentindo para mim. Tudo o que eu tinha era o nome de alguns deuses e um monte de misticismo barato de banca de revista, misturado com toda a sorte de crendices e superstições. Eu queria saber mais, historicamente falando, dessa cultura, mas algo em mim já pululava toda a vez que ouvia a palavra “celta”.  


2.
O Druida era essencial na cultura celta. Representava múltiplos papéis e era o pilar da organização social. Acredito que também o é o Druida moderno. Seu trabalho, entretanto, é bastante árduo, uma vez que precisa resgatar ensinamentos da tradição céltica e conectar com o tempo no qual estamos vivendo.

Se manter a tradição já é difícil frente a velocidade de mudanças que passamos, resgatar elementos de uma tradição que foi interrompida não é tarefa fácil, já que temos limitações de dados, fatos, língua, conhecimentos, enfim, uma infinidade de coisas. Por isso a necessidade de estudos históricos paralelos ao treinamento espiritual. É preciso entender quem foram os celtas e chegar mais próximo do seu modus operandi, não como uma tentativa de imitar o passado, mas para compreender, transcender seus limites, resgatar seus ensinamentos e preservar sua essência.

É tarefa dos Druidas modernos, talvez, fazer essa ponte entre o ontem e o hoje de forma sóbria e preservar não só o passado, mas também o presente e o futuro, já que, uma vez que tenhamos jogado luz sob essas informações é preciso ainda decidir o que fazer com elas.

Acredito que esse seja o papel do druidismo moderno: percorrer o caminho dos nossos antepassados, resgatar a essência antiga e trabalha-la na contemporaneidade, respeitando e aprendendo com as diversas interpretações desses ensinamentos, bem como zelar pelas suas raízes. Quanto a forma a ser passada, creio que cada grupo encontre um caminho específico, respeitando elementos históricos e comparando saberes com outras culturas semelhantes.

Boa noite, Ariana, me desculpe pela demora; vamos às suas respostas:

[1] Sua colocações foram muito pontuais; a utilização do termo 'bárbaro' veio de maneira pejorativa a partir das culturas clássicas e é uma barreira que ainda precisa ser superada pelos estudiosos contemporâneos; conhecer uma nova cultura é aprender toda uma nova forma de percepção de mundo, por vezes tão, ou até mais, complexas do que a contemporânea. Mas quando nos identificamos com uma cultura antiga, é porque vemos nela valores que fazem falta à nossa sociedade atual, seja por estarem totalmente ausentes, ou por terem sido esquecidos ou deixados de ser praticados. Valores que poderiam trazer alguma evolução à nossa sociedade, torna-la algo melhor. Você identifica essa característica na sua explanação, portanto está de parabéns.

[2] O último parágrafo da sua resposta sintetiza bem o que quis dizer; e é um fato que o Druida contemporâneo precisa ter o conhecimento do passado, ele é sua base de conhecimento e fonte de inspiração. E também é necessário trazer a essência dessa tradição, fragmentada e quase desaparecida, para o mundo contemporâneo, não mimetizando o passado, mas usando-o como fonte de inspiração e linha-guia para que ela seja levada adiante, fortalecida e transformada pela influência dos tempos. A tradição druídica não é encravada em pedra, é uma árvore que cresce e se transforma com a passagem das estações :-)
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Resposta

Mensagem por Marianna Teixeira em Dom Maio 15, 2016 9:33 pm

1.
Primeiramente, acredito que a minha identificação com os Celtas surge pelo mistério da sua cultura, muito além do misticismo, surge pelas entrelinhas, pelos símbolos dos mitos que construíram e embasaram a história céltica. Além disso, também me atrai o valor que eles davam às virtudes, sendo elas a base para os seus atos, como bem mostra a passagem que comenta sobre Brennus, em Roma, no texto sugerido. Mais do que sua característica bélica, viril, os mitos célticos em sua profícua análise têm um valor atemporal imenso e vasto.
O fato do povo celta reconhecer a existência dos deuses como espíritos, entidades que podem se encontrar no Mar, no Céu e na Terra, e não seres personificados que poderiam ser inscritos em pedras, por exemplo, como relata no texto a gargalhada de Brennos ao se ver frente às estatuas dos deuses gregos no templo de Delfos. Ao meu ver, esta característica é algo crucial que me aproxima desta crença, visto que dentro do âmago de sua cultura [céltica] já é instaurada a ideia de atemporalidade x temporalidade, a ideia do Outro Mundo, dos véus que são mais sutis do que parecem... O conhecimento sobre a imortalidade da alma, da sacralidade da natureza, da cura pela natureza, os saberes profundos, era com certeza um povo a frente do seu tempo.
Principalmente por estar na modernidade deste Mundo, acredito que seja imprescindível para mim viver e reviver as virtudes, a coragem com sutileza, o aprendizado por enigmas, a apreensão dos mistérios, dos símbolos da natureza, saber observar, saber ouvir os sons que cada vez mais estão se perdendo em meio ao caos de cinzas das cidades modernas. Acredito ser crucial saber cultivar esta cultura antiga em tempos que gritam por esses saberes, mesmo que ainda não tão alto... mesmo que ainda só de dentro.

2.
O papel dos Druidas, como ratificou Júlio César e Aristóteles, além de aconselhar sabiamente o povo celta, os ensinava sobre Filosofia em enigmas, sobre fazer o bem e não praticar o mal, sobre honrar os deuses e praticar a bravura. Viviam em bosques isolados, ensinando sobre a doutrina da imortalidade da alma, da morte como o caminho entre este e o outro lado do véu... o ensinamento das passagens.
No mundo moderno, acredito que o papel dos Druidas, mais do que apenas passar e repassar as mensagens aos que querem ouvir, devem viver o que acreditam. Mais do que teorizar, viverem em pensamento, devem praticar as virtudes, vigiarem o que os afasta do seu verdadeiro caminho e pregarem a bravura em tempos em que o medo – algo extremamente anti-natural na minha visão – é tão aclamado. A morte é um véu, os ensinamentos mais profícuos estão dentro de nós e não fora. A natureza está dentro de nós, mesmo que estejamos cercado de cinzas, ainda há bosques, ainda há florestas, mares... que saibamos olhar pra dentro quando não podermos nos aventurar nos templos. A honra de saber o que vem de dentro e o que há lá fora, saber separar e juntar, encontrar a paz em tempos de guerra e saber guerrear sem temer a morte, sem temer na verdade, é uma maestria a ser inserida em nossos corações, pois assim teremos a coragem suficiente para vivermos esta cultura.
O conhecimento céltico, o acesso à esse sagrado conhecimento está no olhar, na atenção que damos àquilo que consideramos belo e verdadeiro. A interpretação de um mito, um auxilio, o estudo, a organização... a disciplina de um discípulo para consigo mesmo. O mestre está nas águas, nas árvores, nas plantas, no sol, na terra, no ar, no vôo das aves... a maestria está em saber olhar, observar, atentar ao máximo e estar fincado nas profundezas da terra.
Em suma, acredito que esta tradição deve ser passada primeiramente na pessoa que se dedica a isso, sendo a vida dela a vivência real do que acredita e prega. Ademais, saber aconselhar, ler, apoiar estudos arqueológicos, históricos, compartilhar saberes, informações, é uma ótima forma de disseminar o conteúdo. Formar grupos de estudos, de leitura... saber unir o que pode estar em pedaços.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Ter Maio 31, 2016 4:00 am

Marianna Teixeira escreveu:1.
   Primeiramente, acredito que a minha identificação com os Celtas surge pelo mistério da sua cultura, muito além do misticismo, surge pelas entrelinhas, pelos símbolos dos mitos que construíram e embasaram a história céltica. Além disso, também me atrai o valor que eles davam às virtudes, sendo elas a base para os seus atos, como bem mostra a passagem que comenta sobre Brennus, em Roma, no texto sugerido. Mais do que sua característica bélica, viril, os mitos célticos em sua profícua análise têm um valor atemporal imenso e vasto.
   O fato do povo celta reconhecer a existência dos deuses como espíritos, entidades que podem se encontrar no Mar, no Céu e na Terra, e não seres personificados que poderiam ser inscritos em pedras, por exemplo, como relata no texto a gargalhada de Brennos ao se ver frente às estatuas dos deuses gregos no templo de Delfos. Ao meu ver, esta característica é algo crucial que me aproxima desta crença, visto que dentro do âmago de sua cultura [céltica] já é instaurada a ideia de atemporalidade x temporalidade, a ideia do Outro Mundo, dos véus que são mais sutis do que parecem... O conhecimento sobre a imortalidade da alma, da sacralidade da natureza, da cura pela natureza, os saberes profundos, era com certeza um povo a frente do seu tempo.
   Principalmente por estar na modernidade deste Mundo, acredito que seja imprescindível para mim viver e reviver as virtudes, a coragem com sutileza, o aprendizado por enigmas, a apreensão dos mistérios, dos símbolos da natureza, saber observar, saber ouvir os sons que cada vez mais estão se perdendo em meio ao caos de cinzas das cidades modernas. Acredito ser crucial saber cultivar esta cultura antiga em tempos que gritam por esses saberes, mesmo que ainda não tão alto... mesmo que ainda só de dentro.

2.
  O papel dos Druidas, como ratificou Júlio César e Aristóteles, além de aconselhar sabiamente o povo celta, os ensinava sobre Filosofia em enigmas, sobre fazer o bem e não praticar o mal, sobre honrar os deuses e praticar a bravura. Viviam em bosques isolados, ensinando sobre a doutrina da imortalidade da alma, da morte como o caminho entre este e o outro lado do véu... o ensinamento das passagens.
  No mundo moderno, acredito que o papel dos Druidas, mais do que apenas passar e repassar as mensagens aos que querem ouvir, devem viver o que acreditam. Mais do que teorizar, viverem em pensamento, devem praticar as virtudes, vigiarem o que os afasta do seu verdadeiro caminho e pregarem a bravura em tempos em que o medo – algo extremamente anti-natural na minha visão – é tão aclamado. A morte é um véu, os ensinamentos mais profícuos estão dentro de nós e não fora. A natureza está dentro de nós, mesmo que estejamos cercado de cinzas, ainda há bosques, ainda há florestas, mares... que saibamos olhar pra dentro quando não podermos nos aventurar nos templos. A honra de saber o que vem de dentro e o que há lá fora, saber separar e juntar, encontrar a paz em tempos de guerra e saber guerrear sem temer a morte, sem temer na verdade, é uma maestria a ser inserida em nossos corações, pois assim teremos a coragem suficiente para vivermos esta cultura.
  O conhecimento céltico, o acesso à esse sagrado conhecimento está no olhar, na atenção que damos àquilo que consideramos belo e verdadeiro. A interpretação de um mito, um auxilio, o estudo, a organização... a disciplina de um discípulo para consigo mesmo. O mestre está nas águas, nas árvores, nas plantas, no sol, na terra, no ar, no vôo das aves... a maestria está em saber olhar, observar, atentar ao máximo e estar fincado nas profundezas da terra.
  Em suma, acredito que esta tradição deve ser passada primeiramente na pessoa que se dedica a isso, sendo a vida dela a vivência real do que acredita e prega. Ademais, saber aconselhar, ler, apoiar estudos arqueológicos, históricos, compartilhar saberes, informações, é uma ótima forma de disseminar o conteúdo. Formar grupos de estudos, de leitura... saber unir o que pode estar em pedaços.

Boa noite, Marianna, bem-vinda ao nosso fórum! Desculpe a demora, estive ocupado com um evento. Mas vamos lá.

1. Resposta perfeita, mostrando um bom reconhecimento daqueles que são os aspectos mais distintivos da cultura céltica para o Druidismo contemporâneo, principalmente seus valores espirituais e de reverência à natureza. Gosto principalmente do trecho final: " Principalmente por estar na modernidade deste Mundo, acredito que seja imprescindível para mim viver e reviver as virtudes, a coragem com sutileza, o aprendizado por enigmas, a apreensão dos mistérios, dos símbolos da natureza, saber observar, saber ouvir os sons que cada vez mais estão se perdendo em meio ao caos de cinzas das cidades modernas. Acredito ser crucial saber cultivar esta cultura antiga em tempos que gritam por esses saberes, mesmo que ainda não tão alto... mesmo que ainda só de dentro." Parabéns por essa resposta!

2. Novamente, uma resposta perfeita, com um bom entendimento do papel dos Druidas no mundo antigo e sobre como é possível trazer esse papel de volta hoje.Gosto principalmente da sua visão sobre a necessidade de um Druida precisar viver seus valores, não apenas teorizando seus conhecimentos, mas praticando-os no seu dia-a-dia; da necessidade de contemplação dos sinais que a natureza dá; e também das soluções práticas que propõe, como as propostas no último parágrafo. Parabéns novamente Smile
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