Messus: Primeira Aula

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Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Ter Nov 10, 2015 5:56 pm

A nossa primeira aula do curso à distância do Grupo-Semente tinha por objetivo apresentar os membros ao seu instrutor e uns aos outros, bem como a proposta da Ordem Druídica Ramo de Carvalho; um objetivo secundário era apresentar um questionamento duplo aos participantes:

1. Por que nos identificar com os Celtas? Isto é, por que nos identificar com uma cultura europeia da Idade do Ferro, que possuía tantas características ditas como 'bárbaras', quando vivemos em um mundo tão diferente daquele em que eles estiveram? Essa pergunta deve ser respondida após a leitura do primeiro capítulo cedido pelo instrutor.

2. Qual o papel dos Druidas (e outros seguidores dos caminhos eruditos da espiritualidade céltica) no mundo moderno? Como passar a tradição adiante no mundo contemporâneo? Sabendo que os Druidas (e outros membros da casta erudita) eram os responsáveis pela disseminação da tradição entre as tribos celtas, e que eles eram diferentes em lugares e épocas diferentes, qual deve ser o seu papel no mundo moderno? Como essa tradição deve ser passada?

Boa sorte a todos, estamos esperando suas respostas Smile
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por PATRICIA FELTRIM em Sex Nov 13, 2015 5:37 pm

Em resposta à questão de identificação com os Celtas, particularmente acredito que o que realmente nos liga e conecta àquele povo é a crença, a magia, os ecos da tradição.  A noção de honra, respeito, devoção que há muito se perdeu se mantêm nos corações daqueles que se identificam com os Celtas. A magia, os auspícios o respeito à natureza como ser vivente.
Na minha humilde opinião, a identificação são ecos dos nossos deuses, dos nossos antepassados, da natureza em todos os seus aspectos.
Quanto à segunda pergunta, o papel do Druida é orientar, direcionar os estudos, auxiliar, instruir. A tradição transmitida pelos Druidas sempre foi oralmente, até que hoje, com a modernidade e tecnologia, temos a possibilidade de estudos e de orientação para adquirir conhecimento e desenvolver as nossas habilidades de forma segura e respeitosa por meios inovadores como fóruns, aulas online, vídeo conferências e até e-mail, e dentro dessa forma de transmissão de conhecimento e estudos, um dos trabalhos mais grandiosos de um Druida é realmente se dispor a este trabalho.
A tradição ecoa através de tempo e espaço, grita em nossas almas, e deve ser mantida, sempre respeitando o momento presente e o Bem Maior. Passar a tradição é tarefa de grande responsabilidade e se exige muita sabedoria, respeito e equilíbrio, tradição é tradição, deve ser mantida e recuperada, mas lembrando que sempre em seus aspectos mais delicados e polêmicos, tudo deve ser prudentemente refletido.
Agradeço a oportunidade de estudos e de conhecimento, pois acredito que este é o tesouro que levamos para O Outro Mundo, bagagem de nossas almas, para outras vidas, em outros tempos, que assim como ecoam agora, do passado, irão ecoar do agora para o futuro.
Gratidão.
Paty Feltrim
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Aline Danyelle em Sex Nov 13, 2015 9:38 pm

Primeira Questão:
Após ler o texto de estudo e as perguntas confesso que fiquei com muita dúvida de como responde-las, fui obrigada até a parar por um tempo para pensar bem no que escrever. Acabei chegando a uma resposta ao mesmo tempo simples e complexa.
Realmente a época em que vivemos é muito diferente daquela em que os celtas viviam, a tecnologia evoluiu e o próprio mundo se modificou, mas, finalmente conclui, é que o homem não mudou em sua essência. A conexão do homem com a natureza sempre esteve ai e, acredito, sempre vai estar.
É certo afirmar que a vida urbana acaba por sobrecarregar as pessoas, há cada vez mais cobranças e obrigações impostas pela sociedade moderna e é ai, ao meu ver, que sente-se a falta de algo. Este algo é a conexão com o mundo de forma pura, não por meio de máquinas, mas de forma natural, o contato com a natureza como exposto no início, se um dia o homem saiu do campo para a cidade, hoje o movimento é inverso. Esta fuga pra Natureza serve tanto para se conectar com o mundo quanto consigo mesmo.
Ai entra a questão do porquê dos Celtas, mesmo com tantas vertentes pagãs “ disponíveis” para serem estudadas. É tão pessoal que chega a ser difícil pôr em palavras mas, antes de tudo, pessoalmente, o que primeiro me interessou foi a visão animista. Eu acredito que o mundo ao redor é interligado, sagrado e digno de respeito, sendo obrigação do homem a preservação da Natureza.
A segunda questão foi a moral da sociedade celta que encaixou perfeitamente na minha própria noção de moral. Lendo o primeiro material apenas confirmei o quão honrados eram, ficando positivamente surpresa quando algumas visões errôneas caíram por terra. Quando Brennus poupou vilas afirmando que a disputa era com Roma, admirei mais ainda o caráter celta. Em uma época com tantos valores deturpados é até reconfortante.
Concluo, portanto, que o que faz uma pessoa se interessar por uma cultura é o quanto ela consegue se identificar com a mesma, o quão inserida se sente no que descobre sobre a tal, despertando a vontade por novas descobertas a fim de se conectar ainda mais com o que acredita.

Segunda Questão
O papel do druida moderno continuará a ser baseada no druida de antigamente mas sofrerá adaptações por conta da diferença cultural e tecnológica da época. Além da orientação filosófica e espiritual, ainda há mais para ensinar.
O conhecimento que esta casta possui é aplicável aos dias atuais, como conhecimentos sociais, filosofia natural, entre outros. Como disse na primeira resposta, há cada vez mais uma busca por maior contato com o mundo e consigo mesmo e o caminho não é fácil, as palavras e ensinamentos de sábios caem bem para uma pessoa perdida.
Há também a questão do próprio conhecimento sobre a Natureza. Ao colocar em prática pode-se tentar preservar e restaurar o que já foi destruído pela ação do homem, a consciência que toda forma de vida está interligada serve não apenas como um aviso das consequências pela negligência mas também pra servir de incentivo para uma mudança de postura.
Além da mudança de consciência em relação ao mundo que nos cerca ainda há o aprimoramento pessoal por meio da orientação espiritual e filosófica dos druidas. Crescer como pessoa e se tornar mais consciente de seu lugar no mundo te faz poder oferecer mais coisas ao seu redor, quem sabe tendo a chance de fazer a diferença.
Resumindo, os druidas atuais continuam com seu papel mas de forma adaptada à era em que vivemos, orientando e promovendo uma maior ligação entre as pessoas e Natureza.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Adriano Lobo em Seg Nov 16, 2015 12:05 am

1. Por que nos identificar com os Celtas?
Essa pergunta farei de tempos em tempos, de acordo com o conhecimento que irei adquirir nos estudos.
A princípio, creio que exista alguma ligação de alma em relação aos meus ancestres franceses por parte de mãe, somando com o imaginário romântico/ fantasioso que tive anteriormente pela Wicca.
O meu envolvimento com esse povo de grande diversidade cultural, tido como bárbaro, realça pela bravura, pelo senso de justiça, que se faz necessária nos dias de hoje, tempos distintos que, ao meu entender, mais se separa pelo desenvolvimento tecnológico à que pelo comportamento sociocultural.
Uma colocação que li, me sinalizou, ou melhor, o que reconheci como eu manifesto o entender sobre Divindades está aqui: “...os Deuses estavam na Terra, Céu e Mar, nos espíritos dos homens e das árvores, e pretender que eles pudessem ser representados de uma única forma parecia absurdo à eles...” Posso afirmar que essa última colocação combina muito com minha espiritualidade, que se complica quando tento humanizar, delimitar os Deuses.

2 - Sobre os Druidas hoje.
Falar tantos dos Celtas como dos Druidas para dar um parecer exato, se baseando em poucas confirmações plausíveis e mais pelo olhar de outras Culturas, chega a ser um mistério, que acredito que vá se desvendando ao decorrer do meu empenho de acordo com as instruções e fontes bebidas.
Partindo do princípio, de que os Druidas tanto de hoje como de ontem pode ser diferenciada pela sua atuação, na forma de passar a sabedoria, o conceito de Espiritualidade e sua Ligação com a Natureza e o Mundo, porém, a essência se manter a mesma.
A tradição deve ser passada somente para aqueles que realmente queiram seguir por este Caminho, demonstrando o máximo de dedicação e deixar um legado, um acervo confiável, mais acessível para que a História se firme e legitime com o passar das Eras.

Uma coisa eu tenho certeza, se estamos hoje podendo estudar, conhecer sobre Celtas e Druidas, é porque a  essência atravessou o Tempo de alguma forma, por fragmentos ou peças que devem ser juntadas e restauradas, mesmo que ainda estejam sob brumas à serem reveladas.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Luiz Brum em Seg Nov 16, 2015 12:12 am

1 - Me identifico mais com o Celtas, no sentido de que eles tinham uma ligação com a magia, com suas crenças, com o respeito a natureza e o senso de justiça, e mesmo sendo um povo voltado para guerras e disputas ( até com guerras entre Celtas de tribos diferentes) e ditos como bárbaros, não vejo muita diferença dos dias de hoje. O mundo evoluiu, com novas tecnologias, com novas guerras entre “tribos”. Me identifico não com esse lado bárbaro, dominador, mais com o lado voltado para o respeito e adoração a natureza.

2 - O papel dos Druídas no mundo moderno é nos trazer respostas as questões do mundo moderno, nos ensinando a honrar nossos ancestrais e o respeito a natureza. E essa tradições hoje em dia são passadas através da escrita e verbalmente em grupos de estudo mantendo a essência do Druidismo.
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Resposta da primeira aula.

Mensagem por Robert Wagner Allaron em Ter Nov 17, 2015 12:17 am

Em relação ao primeiro tema. Em instância o que nos liga a um povo que viveu à frente de sua época são os valores sócio religiosos, em questão um caminho espiritual que melhor explica os mistérios da vida para nós, tendo sua estrutura toda na natureza sagrada. Dessa forma além de nos identificarmos com essa cultura celta milenar, buscamos reconstruir e trazer para este século esse modo de vida que nos une. Os Druidas tinham um modo de vida que pode perfeitamente se adaptar mesmo nos tempos atuais, como questões sobre proteção e uma valorização às nossas florestas, honra e bravura entre outros que nossa sociedade carece atualmente.

Em relação ao segundo tópico. Tendo em vista que os Druidas acima de tudo são ‘’ a memória da tribo ‘’ a resguardar valores de conhecimento moral e uma grande bagagem filosófica, na sociedade atual o Druida seria o sacerdote no que tange os aspectos culturais, filosóficos e o mais importante ao reeducar nossa sociedade para a importância de uma maior ligação com a natureza, da qual cada vez mais o homem vem se afastando, bem como de auxiliar as pessoas em questões espirituais e sociais, pois atualmente dispomos de toda uma série de tecnologias que ultrapassa as barreiras da distância se bem empregadas facilitando bastante a difusão de troca de informações para disseminar o conhecimento e perpetuar a Tradição em si.
Boa noite a todos.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Qui Nov 19, 2015 1:24 am

PATRICIA FELTRIM escreveu:Em resposta à questão de identificação com os Celtas, particularmente acredito que o que realmente nos liga e conecta àquele povo é a crença, a magia, os ecos da tradição.  A noção de honra, respeito, devoção que há muito se perdeu se mantêm nos corações daqueles que se identificam com os Celtas. A magia, os auspícios o respeito à natureza como ser vivente.
Na minha humilde opinião, a identificação são ecos dos nossos deuses, dos nossos antepassados, da natureza em todos os seus aspectos.
Quanto à segunda pergunta, o papel do Druida é orientar, direcionar os estudos, auxiliar, instruir. A tradição transmitida pelos Druidas sempre foi oralmente, até que hoje, com a modernidade e tecnologia, temos a possibilidade de estudos e de orientação para adquirir conhecimento e desenvolver as nossas habilidades de forma segura e respeitosa por meios inovadores como fóruns, aulas online, vídeo conferências e até e-mail, e dentro dessa forma de transmissão de conhecimento e estudos, um dos trabalhos mais grandiosos de um Druida é realmente se dispor a este trabalho.
A tradição ecoa através de tempo e espaço, grita em nossas almas, e deve ser mantida, sempre respeitando o momento presente e o Bem Maior. Passar a tradição é tarefa de grande responsabilidade e se exige muita sabedoria, respeito e equilíbrio, tradição é tradição, deve ser mantida e recuperada, mas lembrando que sempre em seus aspectos mais delicados e polêmicos, tudo deve ser prudentemente refletido.
Agradeço a oportunidade de estudos e de conhecimento, pois acredito que este é o tesouro que levamos para O Outro Mundo, bagagem de nossas almas, para outras vidas, em outros tempos, que assim como ecoam agora, do passado, irão ecoar do agora para o futuro.
Gratidão.
Paty Feltrim

[1] Boa resposta, Paty; os ecos da tradição que você cita são justamente aquilo que conhecemos do passado e que vemos como ausente no mundo atual, principalmente os valores de honra e respeito à natureza, que você identifica bem.

[2] "A tradição ecoa através do tempo e espaço, grita em nossas almas e deve ser mantida, sempre respeitando o momento presente e o Bem Maior" e "tradição é tradição , deve ser mantida e recuperada, mas lembrando que sempre em seus aspectos mais delicados e polêmicos, tudo deve ser prudentemente refletido": esses dois trechos da sua segunda resposta mostram o entendimento do principal aspecto a ser refletido: existe uma tradição antiga, mas o nosso mundo atual difere em muitos aspectos do mundo antigo. Por isso é necessário respeitar tanto as limitações quanto as dádivas do nosso mundo atual, quanto refletir sobre seu impacto nos nossos tempos. Conhecer é importante, refletir é imprescindível.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Qui Nov 19, 2015 4:43 am

Aline Danyelle escreveu:Primeira Questão:
Após ler o texto de estudo e as perguntas confesso que fiquei com muita dúvida de como responde-las, fui obrigada até a parar por um tempo para pensar bem no que escrever. Acabei chegando a uma resposta ao mesmo tempo simples e complexa.
Realmente a época em que vivemos é muito diferente daquela em que os celtas viviam, a tecnologia evoluiu e o próprio mundo se modificou, mas, finalmente conclui, é que o homem não mudou em sua essência. A conexão do homem com a natureza sempre esteve ai e, acredito, sempre vai estar.
É certo afirmar que a vida urbana acaba por sobrecarregar as pessoas, há cada vez mais cobranças e obrigações impostas pela sociedade moderna e é ai, ao meu ver, que sente-se a falta de algo. Este algo é a conexão com o mundo de forma pura, não por meio de máquinas, mas de forma natural, o contato com a natureza como exposto no início, se um dia o homem saiu do campo para a cidade, hoje o movimento é inverso. Esta fuga pra Natureza serve tanto para se conectar com o mundo quanto consigo mesmo.
Ai entra a questão do porquê dos Celtas, mesmo com tantas vertentes pagãs “ disponíveis” para serem estudadas. É tão pessoal que chega a ser difícil pôr em palavras mas, antes de tudo, pessoalmente, o que primeiro me interessou foi a visão animista. Eu acredito que o mundo ao redor é interligado, sagrado e digno de respeito, sendo obrigação do homem a preservação da Natureza.
A segunda questão foi a moral da sociedade celta que encaixou perfeitamente na minha própria noção de moral. Lendo o primeiro material apenas confirmei o quão honrados eram, ficando positivamente surpresa quando algumas visões errôneas caíram por terra. Quando Brennus poupou vilas afirmando que a disputa era com Roma, admirei mais ainda o caráter celta. Em uma época com tantos valores deturpados é até reconfortante.
Concluo, portanto, que o que faz uma pessoa se interessar por uma cultura é o quanto ela consegue se identificar com a mesma, o quão inserida se sente no que descobre sobre a tal, despertando a vontade por novas descobertas a fim de se conectar ainda mais com o que acredita.

Segunda Questão
O papel do druida moderno continuará a ser baseada no druida de antigamente mas sofrerá adaptações por conta da diferença cultural e tecnológica da época. Além da orientação filosófica e espiritual, ainda há mais para ensinar.
O conhecimento que esta casta possui é aplicável aos dias atuais, como conhecimentos sociais, filosofia natural, entre outros. Como disse na primeira resposta, há cada vez mais uma busca por maior contato com o mundo e consigo mesmo e o caminho não é fácil, as palavras e ensinamentos de sábios caem bem para uma pessoa perdida.
Há também a questão do próprio conhecimento sobre a Natureza. Ao colocar em prática pode-se tentar preservar e restaurar o que já foi destruído pela ação do homem, a consciência que toda forma de vida está interligada serve não apenas como um aviso das consequências pela negligência mas também pra servir de incentivo para uma mudança de postura.
Além da mudança de consciência em relação ao mundo que nos cerca ainda há o aprimoramento pessoal por meio da orientação espiritual e filosófica dos druidas. Crescer como pessoa e se tornar mais consciente de seu lugar no mundo te faz poder oferecer mais coisas ao seu redor, quem sabe tendo a chance de fazer a diferença.
Resumindo, os druidas atuais continuam com seu papel mas de forma adaptada à era em que vivemos, orientando e promovendo uma maior ligação entre as pessoas e Natureza.

[1] Perfeita a sua primeira colocação, Aline, a respeito das pressões que a vida urbana nos traz e a necessidade de nos 'reconectar' com a natureza que acaba se tornando latente. O mundo contemporâneo perde muito ao esquecer esses valores, sua conexão com o mundo natural e o papel do homem dentro do contexto maior do mundo natural. Perfeito o seu entendimento que, ao nos reconectarmos com a natureza, nos reconectamos com nós mesmos, com nossa natureza.
A segunda colocação, a respeito dos valores antigos (principalmente sobre a honra), eles são aquilo que olhamos para o passado e vemos como ausentes em nossa própria sociedade. Por isso nos identificamos com os Celtas, pois vemos algo que perdemos nesses valores, algo que nos tornava mais justos e comunitários, e que isso pode ser recuperado.

[2] Ótima a sua colocação sobre a segunda questão também. Hoje já vivemos em um mundo onde a natureza é dessacralizada, por isso o conhecimento natural dos Druidas deve ser sempre uma das bases para a prática do Druidismo moderno, mas não apenas o conhecimento tradicional, mas também o nosso conhecimento atual sobre o mundo natural. Druidas continuam a ser sacerdotes e filósofos, mas devem atuar justamente nos aspectos em que nossa civilização atual é deficiente: na ligação com o Sagrado que se encontra na natureza.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Fah Gimenes em Sex Nov 20, 2015 9:11 pm

Desculpe o atraso em minhas respostas tive problemas com a internet.
Segue a baixo as mesmas:

1- Resposta:

A identificação com os Celtas advém a minha pessoa primeiramente pela sua concepção espiritual antes de qualquer outro ponto a ser observado.
Sendo assim um dos ensinamentos e conceitos que busco entender, compreender e praticar está inteiramente ligado em como funcionava a espiritualidade dos Celtas.
Como um povo da Idade do Ferro e dito como " Bárbaros" observo em pequenos detalhes cuidados em manter uma tribo unida bem como a honra e conduta de um povo. Tais conceitos de caráter que bem vemos representados nos Celtas, hoje estão perdidos ou adormecidos em nossa sociedade, isto só os torna ainda mais interessantes como exemplos a serem observados. Podemos ver o que afirmo acima na conduta de Brenus* e seu exercito quando marcha sobre a Itália sem agredir ou usurpar o povo local que passou em seu caminho. Estes conceitos de caráter é o segundo ponto que me traz esta identificação com este povo.

2- Resposta:

Penso, que todas as informações que temos hoje ainda é pouco para nos dar a real dimensão do papel, da pratica e do caminho de um Druida.
Tenho para mim que mesmo com tantas informações não se é possível ter total clareza e profundidade do que estes representavam. Pois era-se dedicado uma vida em tempo integral muitas vezes... a aprender, a instruir e a manter viva a espiritualidade de um povo. Dimensionar isto é na minha concepção impossível!
Porém é exatamente isto que torna esta dedicação espiritual e social importante nos dias atuais.
Os conceitos base da espiritualidade e ensinamentos dos Druidas não devem mudar em nosso tempo!Devem sim, serem aplicados até mesmo remodelados segundo o nosso contexto. Esta tradição acima de tudo ( guerras, conquistas, politica) incentiva a manter um caráter reto, integro e uma espiritualidade sem amarras materiais praticável.
A prova de que todos esses conceitos foram e ainda são possíveis de se viverem, está no fato de que mesmo em diferentes lugares e épocas encontramos diversos registros da disseminação dos mesmos conceitos.
Portanto acredito que a transferência de tais ensinamentos são possíveis em nossa atualidade, agregando princípios desse povo a nossa vida cotidiana.
Seja por estudos, praticas, exemplos, conceitos e suas filosofias !


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Resposta

Mensagem por Paulo Gibaldi em Sab Nov 21, 2015 1:15 am

Primeiramente desculpe a demora para responder.
Continuando...

1 - Acho que minha resposta vai ser bem parecida com a que dei no hangout. Os celtas eram considerados bárbaros e tinham práticas que para os olhos de nossa época são incabíveis, mas tinha uma série de valores que faltam na sociedade de hoje, como honra, lealdade, bravura, hospitalidade, generosidade, benevolência e etc. Então acho que se identificar como celta hoje em dia, é tentar trazer esses valores para a sua vida, o seu dia a dia.

2 - Como os Druidas, ou Neo-Druidas, hoje em dia são uma classe sacerdotal quase exclusiva de grupos que seguem a espiritualidade celtica, acho que o papel deles seria guiar os membros do grupo por meio da história e dos valores celtas, para que cada pessoa levasse para a sua a vida. Os Vates, além do lado espiritual, o trabalho com as ervas para cura é algo que pode ajudar a todos, sendo pagãos ou não, então seria uma maneira muito interessante de trabalhar, na minha opinião. Agora sobre os Bardos, pra mim é impossível separar arte de espiritualidade, então os bardos como poetas teriam o papel de espalhar as lendas, filosofias e valores, como também usarem seus versos para encantamentos, orações e etc.

E é isso, boa noite a todos Very Happy

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Resposta à primeira aula

Mensagem por Cintia.freitag em Qui Nov 26, 2015 4:11 pm

1. Acredito que a busca pela cultura Celta vem ao encontro do anseio que sentimos em nos conectar mais com a natureza. Busco o resgate de valores Celtas, pois fui criada num modelo de sociedade diferente, no qual honra, palavra e coragem são valores muito importantes e cultivados. Quando me mudei e saí da região na qual nasci, sofri muito. Até hoje ainda sofro, pois não consigo aceitar e achar normal a banalização da palavra, a falta de honradez e essa mania de burlar as regras. Quanto mais eu leio e conheço a cultura Celta, maior é a paz que sinto e comprendo que o mundo seria melhor se os valores Celtas estivessem na base da sociedade.

2. Penso que o papel dos Druidas modernos não tenha mudado em relação ao papel que tinham na era de ouro celta. O que mudou é o desafio de aumentar a penetrabilidade das tradições, pois o mundo necessita aumentar sua conexão com a natureza e resgatar valores éticos e morais. Julgo que neste momento a missão Druida é reinserir a as bases da tradição Celta na sociedade moderna.

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Thiago Widugenos

Mensagem por Thiago Widugenos em Qui Nov 26, 2015 11:27 pm

Questão 1:

Porque nos identificar com os povos celtas? É uma pergunta fácil e difícil de se responder.
Difícil quando observado pela ótica judaico cristã atual que, principalmente nos relatos romanos, enxerga os celtas como um conjunto de povos bárbaros, adeptos à sacrifícios sanguinários e terríveis aos olhos do mundo moderno. Entretanto, como é bem sabido, a história é contada pelos "vencedores".
Citando Pedro Pablo em seu livro Os Mitos Celtas:

"Se os romanos se apropriaram da história, os celtas se refugiaram no mito".

Já em relação a nos identificarmos com os celtas, vemos no mito os ideais de bravura, com um alto sendo de justiça, sua honra, hospitalidade, lealdade, o amor a sua tribo e a sua terra.
A sua dedicação para alcançar a perfeição no exercício dos ofícios, moldando como o Super-homem descrito por Nietzsche.
O ideal céltico de vida continua a ecoar dentro de nós como o canto de nossos ancestrais, contidos no nosso DNA e eclodindo para o mundo moderno.


Questão 2:

“Três deveres de um druida:

curar a si mesmo;

curar a comunidade;

curar a Terra.

Pois se assim não fizer, não poderá ser chamado de druida."

Essa Tríade da Bretanha nunca foi tão necessária ao mundo moderno, ainda mais em meio a uma crise moral, ética, espiritual, ecológica, política e civilizatória.
O papel do druida vai muito além do papel do "mago barbudo" dos livros infanto-juvenis.
Ao meu entender, o druida, hoje, além da missão de reconstrução e adaptação da religião céltica à transportando para o mundo contemporâneo, eliminando elementos "esquisiotéricos" e recontextualizando uma tradição vivaz e altiva deve também ter orgulho de suas raízes como uma religião étnica.
O druidismo necessita reconstruir na estrada do hoje a participado ativa e comunitária na resolução das mazelas humanas, comuns a todos os seguidores de qualquer fé. O druida como sacerdote, filósofo, teólogo deve atuar como conselheiro para aqueles que procuram apoio psicológico e espiritual. O druida deve ser referência da comunidade como um virtuoso e sábio, sempre disposto à entrega em prol da mesma.
O caminho do sacerdócio moderno deve ser trilhado a favor da grande comunidade de vida da Terra, zelando pela restauração dos processos ecológicos e fazendo disso seu dever sagrado, mantendo a ordem e equilíbrio sobre o caos como nos foi ensinado pelos deuses e ancestrais.

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Resposta aos exercícios primeira aula.

Mensagem por Maycow Guimarães em Sex Nov 27, 2015 6:43 pm

1. Por que nos identificar com os Celtas? Isto é, por que nos identificar com uma cultura europeia da Idade do Ferro, que possuía tantas características ditas como 'bárbaras', quando vivemos em um mundo tão diferente daquele em que eles estiveram? Essa pergunta deve ser respondida após a leitura do primeiro capítulo cedido pelo instrutor.

Como nem mesmos os povos chamados de celtas se identificam como tal, e inclusive seus descendentes sanguinios atuais que vivem na Irlanda,  Escócia, Países de Gales, Inglaterra, Suíça e demais países é estreita essa condição de identificação ou sentimento de pertencer. Acredito que do que sobreviveu na música, na mitologia, na história e na fantasia do imaginário Celta seja nossa primeira relação com essa identificação ou apreço por esse conjunto, após essa "relação" inicial de atração passamos a pesquisar, compreender e tentar assimilar coisas como cultura, honra, sacrifícios, morte, ancestralidade, uma ecologia sagrada, a divinação das coisas e seres; e outros aspectos pertencentes a todo um conjunto de povos que foram orientados como celtas, hoje fazemos uma co relação destas condições, do que sobreviveu, com os aspectos atuais de espiritualidade, cultura e sociedade.


2. Qual o papel dos Druidas (e outros seguidores dos caminhos eruditos da espiritualidade céltica) no mundo moderno? Como passar a tradição adiante no mundo contemporâneo? Sabendo que os Druidas (e outros membros da casta erudita) eram os responsáveis pela disseminação da tradição entre as tribos celtas, e que eles eram diferentes em lugares e épocas diferentes, qual deve ser o seu papel no mundo moderno? Como essa tradição deve ser passada?

A responsabilidade de quem possui a informação é absolutamente enorme, visto que este indivíduo se tornará a ligação entre esse mundo e o mundo dos celtas para com os estudantes e seguidores, todas as ferramentas possíveis e atuais de ensino devem ser utilizadas dentro da nossa atual realidade de informação, e aquele que se apresenta como um Druida deve explorar sua aptidão relacionada ao espírito celta seja ela na musica, na cura, na ritualização, no xamanismo celta e trabalhar de maneira mais dinâmica e prestativa o possível junto aos membros do grupo, da sociedade, do pais e para o mundo como um todo pois acredito que é isso que os druidas realizariam. A tradição deve ser passada de acordo com os objetivos dos elders do grupo, seja por treinamento, grupos de estudos on line, grupos físicos, com posteriores iniciações ritualizadas ou não, com indicações de graus ou não, conforme as possibilidades e desejos da tradição, do grupo dos Deuses.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Seg Nov 30, 2015 2:03 am

Adriano Lobo escreveu:1. Por que nos identificar com os Celtas?
Essa pergunta farei de tempos em tempos, de acordo com o conhecimento que irei adquirir nos estudos.
A princípio, creio que exista alguma ligação de alma em relação aos meus ancestres franceses por parte de mãe, somando com o imaginário romântico/ fantasioso que tive anteriormente pela Wicca.
O meu envolvimento com esse povo de grande diversidade cultural, tido como bárbaro, realça pela bravura, pelo senso de justiça, que se faz necessária nos dias de hoje, tempos distintos que, ao meu entender, mais se separa pelo desenvolvimento tecnológico à que pelo comportamento sociocultural.
Uma colocação que li, me sinalizou, ou melhor, o que reconheci como eu manifesto o entender sobre Divindades está aqui: “...os Deuses estavam na Terra, Céu e Mar, nos espíritos dos homens e das árvores, e pretender que eles pudessem ser representados de uma única forma parecia absurdo à eles...” Posso afirmar que essa última colocação combina muito com minha espiritualidade, que se complica quando tento humanizar, delimitar os Deuses.

2 - Sobre os Druidas hoje.
Falar tantos dos Celtas como dos Druidas para dar um parecer exato, se baseando em poucas confirmações plausíveis e mais pelo olhar de outras Culturas, chega a ser um mistério, que acredito que vá se desvendando ao decorrer do meu empenho de acordo com as instruções e fontes bebidas.
Partindo do princípio, de que os Druidas tanto de hoje como de ontem pode ser diferenciada pela sua atuação, na forma de passar a sabedoria, o conceito de Espiritualidade e sua Ligação com a Natureza e o Mundo, porém, a essência se manter a mesma.
A tradição deve ser passada somente para aqueles que realmente queiram seguir por este Caminho, demonstrando o máximo de dedicação e deixar um legado, um acervo confiável, mais acessível para que a História se firme e legitime com o passar das Eras.

Uma coisa eu tenho certeza, se estamos hoje podendo estudar, conhecer sobre Celtas e Druidas, é porque a  essência atravessou o Tempo de alguma forma, por fragmentos ou peças que devem ser juntadas e restauradas, mesmo que ainda estejam sob brumas à serem reveladas.

[1] Muito obrigado pela sua resposta, Adriano. A Wicca costuma trazer realmente esse interesse pelos povos Celtas, embora seja necessário aprender a separar aquilo que é natural da Wicca e o que é de inspiração céltica, algo que pode ser complicado no início; mas estamos aqui para isso. Uma ligação ancestral também é um motivo nem um pouco menos digno do que qualquer outro para se identificar com os antigos; honrar aos Ancestrais é uma parte importante do Druidismo, não importa se são Celtas ou não, mas a ligação pode ser um incentivo a mais para a busca, principalmente se esse povo prima por valores que são ausentes à nossa sociedade atual.
Um ponto crucial é a visão animista, bem percebida por você, de encontrar o Divino na natureza, no ambiente ao redor. Parabéns.

[2] Parabéns pela visão de que a tradição deve ser passada adiante com a sua essência mantida, mesmo que a forma seja diferente; esse é o objetivo do Druidismo contemporâneo, buscar manter a essência da tradição, mas de uma forma que ela seja válida e perene no mundo contemporâneo. Talvez o caminho não seja para todos, mas ele deve abraçar aos que o buscam, pois só assim podemos descobrir se ele é o apropriado para nós mesmos.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Seg Nov 30, 2015 4:43 am

Luiz Brum escreveu:1 - Me identifico mais com o Celtas, no sentido de que eles tinham uma ligação com a magia, com suas crenças, com o respeito a natureza e o senso de justiça, e mesmo sendo um povo voltado para guerras e disputas ( até com guerras entre Celtas de tribos diferentes) e ditos como bárbaros, não vejo muita diferença dos dias de hoje. O mundo evoluiu, com novas tecnologias, com novas guerras entre “tribos”. Me identifico não com esse lado bárbaro, dominador, mais com o lado voltado para o respeito e adoração a natureza.

2 - O papel dos Druídas no mundo moderno é nos trazer respostas as questões do mundo moderno, nos ensinando a honrar nossos ancestrais e o respeito a natureza. E essa tradições hoje em dia são passadas através da escrita e verbalmente em grupos de estudo mantendo a essência do Druidismo.

Boa noite, Luiz Brum; vamos às suas respostas:

[1] Você vê que o mundo ainda está imerso em disputas "tribais" e territoriais, e que não nos afastamos realmente do mundo anterior dos 'bárbaros'. Frente a essa realidade, descobrimos que não é o lado 'bárbaro' dos Celtas que buscamos, mas toda a mística de sua cultura, principalmente nos fatores que foram perdidos, como o de adoração da natureza.

[2] Sim, o papel dos Druidas é nos trazer respostas para as questões do mundo moderno. As questões do mundo antigo podem ou não serem as mesmas do moderno, mas vivemos no nosso próprio tempo, e as respostas que os Druidas buscam devem ser significativas para nós e nosso tempo. Por isso, mesmo que buscando na tradição ancestral, as respostas que o Druida nos traz devem ser significativas para nós, pessoas do mundo contemporâneo, justamente nos quesitos em que somos mais falhos ou que são ausentes no mundo atual.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por pedrodobbin em Seg Nov 30, 2015 11:11 am

DEsculpe-me a demora, questões pessoais me fizeram ficar um pouco ausente.

Eis minhas respostas:

1. Embora seja uma cultura antiga e dita bárbara, a cultura celta possuía alguns valores que nos faltam na sociedade atual: as noções de honra, hospitalidade e respeito á natureza, por exemplo.

2. O papel do druida é muito semelhante ao da época celta, exceto que hoje ele não tem mais a função de árbitro. Transmitir a conhecimento e a sabedoria, realizar o sacerdócio, creio que são as principais atividades do druida.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Seg Nov 30, 2015 6:23 pm

Robert Wagner Allaron escreveu:Em relação ao primeiro tema. Em instância o que nos liga a um povo que viveu à frente de sua época são os valores sócio religiosos, em questão um caminho espiritual que melhor explica os mistérios da vida para nós, tendo sua estrutura toda na natureza sagrada. Dessa forma além de nos identificarmos com essa cultura celta milenar, buscamos reconstruir e trazer para este século esse modo de vida que nos une. Os Druidas tinham um modo de vida que pode perfeitamente se adaptar mesmo nos tempos atuais, como questões sobre proteção e uma valorização às nossas florestas, honra e bravura entre outros que nossa sociedade carece atualmente.

Em relação ao segundo tópico. Tendo em vista que os Druidas acima de tudo são ‘’ a memória da tribo ‘’ a resguardar valores de conhecimento moral e uma grande bagagem filosófica, na sociedade atual o Druida seria o sacerdote no que tange os aspectos culturais, filosóficos e o mais importante ao reeducar nossa sociedade para a importância de uma maior ligação com a natureza, da qual cada vez mais o homem vem se afastando, bem como de auxiliar as pessoas em questões espirituais e sociais, pois atualmente dispomos de toda uma série de tecnologias que ultrapassa as barreiras da distância se bem empregadas facilitando bastante a difusão de troca de informações para disseminar o conhecimento e perpetuar a Tradição em si.  
Boa noite a todos.

Boa tarde, Allaron, muito obrigado e vamos às suas respostas.

[1] Muito bom, você identificou os principais pontos de discussão sobre a questão de trazer os valores de um povo antigo para o mundo atual: a busca por valores que estão atualmente ausentes em nossa sociedade e, principalmente, a consciência animista da sacralidade da natureza, um conceito essencial a ser trazido de volta ao nosso mundo moderno.

[2] Você identifica muito bem o que considera ser o papel do Druida no mundo atual, de ensinar a tradição da sacralidade da Terra e da natureza a uma sociedade que se afastou dela; também identifica que hoje em dia temos muitas facilidades tecnológicas e que elas podem ser usadas para divulgar a tradição, e não deveriam ser desprezadas pelos Druidas contemporâneos.

Parabéns.

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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Megghan em Qua Dez 02, 2015 10:23 pm

1. Questao:Talvez justamente por ser uma cultura tão diferente da nossa que tenha me fascinado. O Brasil é um país jovem e tem uma cultura bastante miscigenada e isto é uma vantagem enorme para que nós estejamos abertos a conhecer algo que  é totalmente diferente daquilo a que estamos acostumados. O que me chamou bastante a atenção no texto, foi a posição das mulheres na sociedade céltica, completamente diferente das outras sociedades da época, como na sociedade grega e romana por exemplo.   Os valores de honra, respeito e hospitalidade, me lembraram do tempo em que a palavra era suficiente, valores hoje totalmente esquecidos na sociedade moderna. A ligação, veneração e o respeito com a Natureza e seus fenômenos, não tem nada de bárbaro. E por ultimo, me impressionou bastante o espírito de não se render ao domínio de um outro povo/outra cultura, preferindo a morte do que ser dominado. Meio romântico, mas me chamou bastante a atenção, foi a primeira vez que li algo a este respeito.

2.Questao: A tradição se adapta ao tempo  e ao lugar sem perder a sua essência. Assim como antes, os druidas e eruditos de hoje se adapatam a sua época e ao local onde vivem para que a tradição seja mandtida. A natureza é diferente de um lugar para outro e deve ser sentida como tal, como um  organismo  único e ao mesmo tempo integrante do todo, com a sua sabeforia diferente de um lugar para outro, de uma cultura para outra, de um tempo para outro.

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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Kalevi Duir em Qui Dez 03, 2015 3:54 am

Primeiramente mil desculpas pois tive muitos problemas com a empresa da internet daqui de casa e fiquei meio "apertado" em relação ao meu emprego rs, mas vamos lá.
Se ficar um pouco confusa é por que estou respondendo rapidinho rs

Primeira questão: 1. Por que nos identificar com os Celtas? Isto é, por que nos identificar com uma cultura europeia da Idade do Ferro, que possuía tantas características ditas como 'bárbaras', quando vivemos em um mundo tão diferente daquele em que eles estiveram? Essa pergunta deve ser respondida após a leitura do primeiro capítulo cedido pelo instrutor.

Acredito que isso vem da alma, as vozes da cultura e do misticismo céltico estão vivos em cada balançar das folhas e do pulsar da terra, mas com o tempo esquecemos de ouvir a terra e os nossos ancestrais.
Os valores que por eles eram honrados e vividos de forma real hoje se tornam valiosos companheiros, principalmente o conceito de comunidade e o respeito a natureza que faz parte de nós e é sagrada, somos todos irmãos.

Segunda questão: 2. Qual o papel dos Druidas (e outros seguidores dos caminhos eruditos da espiritualidade céltica) no mundo moderno? Como passar a tradição adiante no mundo contemporâneo? Sabendo que os Druidas (e outros membros da casta erudita) eram os responsáveis pela disseminação da tradição entre as tribos celtas, e que eles eram diferentes em lugares e épocas diferentes, qual deve ser o seu papel no mundo moderno? Como essa tradição deve ser passada?

O papel do Druida é guiar, orientar, observar... No mundo moderno é manter a Tradição viva, deixando a essência e utilizando as muitas ferramentas que temos a mão no mundo atual. Pois se hoje temos o conhecimento é certo de que a ferramente muda, mas o legado continua pulsante e vivo nos religando com tudo o que foi deixado de lado por ganancia.

Bençãos de Brighid /|\
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Sab Dez 05, 2015 12:58 am

Fah Gimenes escreveu:Desculpe o atraso em minhas respostas tive problemas com a internet.
Segue a baixo as mesmas:

1- Resposta:

A identificação com os Celtas advém a minha pessoa primeiramente pela sua concepção espiritual antes de qualquer outro ponto a ser observado.
Sendo assim um dos ensinamentos e conceitos que busco entender, compreender e praticar está inteiramente ligado em como funcionava a espiritualidade dos Celtas.
Como um povo da Idade do Ferro e dito como " Bárbaros" observo em pequenos detalhes cuidados em manter uma tribo unida bem como a honra e conduta de um povo. Tais conceitos de caráter que bem vemos representados nos Celtas, hoje estão perdidos ou adormecidos em nossa sociedade, isto só os torna ainda mais interessantes como exemplos a serem observados. Podemos ver o que afirmo acima na conduta de Brenus* e seu exercito quando marcha sobre a Itália sem agredir ou usurpar o povo local que passou em seu caminho. Estes conceitos de caráter é o segundo ponto que me traz esta identificação com este povo.

2- Resposta:

Penso, que todas as informações que temos hoje ainda é pouco para nos dar a real dimensão do papel, da pratica e do caminho de um Druida.
Tenho para mim que mesmo com tantas informações não se é possível ter total clareza e profundidade do que estes representavam. Pois era-se dedicado uma vida em tempo integral muitas vezes... a aprender, a instruir e a manter viva a espiritualidade de um povo. Dimensionar isto é na minha concepção impossível!
Porém é exatamente isto que torna esta dedicação espiritual e social importante nos dias atuais.
Os conceitos base da espiritualidade e ensinamentos dos Druidas não devem mudar em nosso tempo!Devem sim, serem aplicados até mesmo remodelados segundo o nosso contexto. Esta tradição acima de tudo ( guerras, conquistas, politica) incentiva a manter um caráter reto, integro e uma espiritualidade sem amarras materiais praticável.
A prova de que todos esses conceitos foram e ainda são possíveis de se viverem, está no fato de que mesmo em diferentes lugares e épocas encontramos diversos registros da disseminação dos mesmos conceitos.
Portanto acredito que a transferência de tais ensinamentos são possíveis em nossa atualidade, agregando princípios desse povo a nossa vida cotidiana.
Seja por estudos, praticas, exemplos, conceitos e suas filosofias !



Muito obrigado, Fah, vamos às suas respostas:

[1] A busca de conceitos espirituais é o que nos motiva; mas ao nos identificarmos com um povo antigo, ao mesmo tempo nos identificamos com seus valores, valores esses que encontramos como ausentes em nossa sociedade contemporânea. Você cita que esses valores estão 'perdidos ou adormecidos' na nossa sociedade; creio que o segundo termo seja o mais apropriado, pois mesmo a nossa sociedade, seja ela cristã, seja ela secular, ainda tem esses valores em alta conta. O que lhes falta é a noção de responsabilidade que a prática desses valores exige, seja pela noção de indulgência divina do Cristianismo, seja pela noção de que a instância suprema que julga nossas ações é lei, como vemos no pensamento puramente secular. Assim, a consciência do próprio ser humano tem pouco espaço para o desenvolvimento. Nosso papel é fazer 'despertar' esses valores dentro de nós mesmos, e através do exemplo é que podemos transformar o mundo ao nosso redor.

[2] Perfeito o seu pensamento sobre a impossibilidade de mensurar a importância do papel do Druida nas sociedades antigas; realmente, mesmo com a enorme quantidade de informação que temos hoje, ainda se torna algo bastante difícil e complexo, pois muito da própria mentalidade daqueles povos foi perdido. Sua afirmação de que os conceitos da tradição podem ser mantidos em nosso tempo (sendo apenas remodelados para melhor se adaptarem a ele) foi pontual; creio que a sua melhor frase a esse respeito foi: "Esta tradição acima de tudo ( guerras, conquistas, politica) incentiva a manter um caráter reto, integro e uma espiritualidade sem amarras materiais praticável." Todo e qualquer caminho espiritual tem a intenção de transformar o ser humano, de ser um agente transformador da sociedade. E atingir esses valores morais é um dos objetivos primários do Druidismo.

Parabéns!
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Sab Dez 05, 2015 5:18 am

Paulo Gibaldi escreveu:Primeiramente desculpe a demora para responder.
Continuando...

1 - Acho que minha resposta vai ser bem parecida com a que dei no hangout. Os celtas eram considerados bárbaros e tinham práticas que para os olhos de nossa época são incabíveis, mas tinha uma série de valores que faltam na sociedade de hoje, como honra, lealdade, bravura, hospitalidade, generosidade, benevolência e etc. Então acho que se identificar como celta hoje em dia, é tentar trazer esses valores para a sua vida, o seu dia a dia.

2 - Como os Druidas, ou Neo-Druidas, hoje em dia são uma classe sacerdotal quase exclusiva de grupos que seguem a espiritualidade celtica, acho que o papel deles seria guiar os membros do grupo por meio da história e dos valores celtas, para que cada pessoa levasse para a sua a vida. Os Vates, além do lado espiritual, o trabalho com as ervas para cura é algo que pode ajudar a todos, sendo pagãos ou não, então seria uma maneira muito interessante de trabalhar, na minha opinião. Agora sobre os Bardos, pra mim é impossível separar arte de espiritualidade, então os bardos como poetas teriam o papel de espalhar as lendas, filosofias e valores, como também usarem seus versos para encantamentos, orações e etc.

E é isso, boa noite a todos Very Happy

Boa noite, Paulo, vamos às suas respostas:

[1] Sim, a busca por valores que hoje estão ausentes em nossa sociedade é uma das bases das religiões pagãs (e do Druidismo, especificamente); são valores que não são estranhos a nós, mas que hoje existem mais no plano das ideias do que da prática. Identificar-se com os valores dos povos Celtas não é buscar trazer o mundo antigo de volta, mas buscar os valores que podem fazer uma diferença nessa época.

[2] Guiar a Tribo através da história e dos valores é um dos papeis clássicos dos Druidas, e ele certamente deve ser mantido no presente; o passado deve ser conhecido, e não fantasiado. Você também disserta (e muito bem) sobre os diferentes graus sacerdotais do Druidismo clássico; parabéns pela resposta.

Muito obrigado pela resposta.
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Trabalho 1

Mensagem por Luciana Cavalcanti em Sab Dez 05, 2015 10:28 pm

1) Por que me identificar com os Celtas? O que realmente posso aprender com eles para minha vida?
R: Os celtas me chamaram atenção, ao fim da minha busca por uma religião que fizesse sentido quando encontrei as religiões antigas, desde o início dos meus estudos sobre religiões pagãs, pelo mesmo motivo que os nórdicos, e aos poucos foram se sobressaindo, os relatos de heroísmo e bravura dentre outras virtudes que se destacavam, mesmo para seus inimigos. Conforme me aprofundei, percebi que esses valores e outros eram sempre mencionados, apareciam na mitologia, nos relatos romanos. Em um mundo sempre inconstante, de migrações, alianças efêmeras, invasões, eles mantinham sua constância nesses valores, isso me comoveu. Percebi que esses valores, firmeza de caráter, coragem, honra, religião ligada ao natural, eram ainda necessários e valiosos na sociedade contemporânea, no meu dia a dia.Era enfim um religião que fazia sentido, e não que eu tinha que me adaptar, forçar. O que realmente posso aprender com eles, é manter o foco nos valores que me norteiam independente das variáveis e inconstâncias da vida, são os valores que permanece, quando tudo mais se esvai, a ter atitudes condizentes com o que se fala e a praticar uma religião que tenha influência concreta no mundo.

2) Qual deve ser o papel dos Druidas (e outros eruditos) do Druidismo moderno? Como passar essa tradição a frente em um mundo tão diferente?

R:O papel do druida atual, na minha opinião, é o da manutenção da tradição e da organização da comunidade “céltica” local.Manter a tradição não seria fazer julgamentos e colher visco como outrora, mas determinar aquilo que nos faz celta hoje e trabalhar em prol da disseminação e preservação desses valores e saberes que chegaram a nós, sempre, claro, inspirados pelos celtas originais. A tradição não é formada de mimetismo do passado, mas daquilo que nos é pertinente ainda hoje, e daquilo que é novo e pode ser anexado de modo lógico a esse conjunto de saberes, com coerencia, de modo a ser a fonte de pesquisa e referencias daquilo que nos transforma em druidas, que na minha cabeça,hoje é ser alguém que consiga interferir positivamente em nossas vidas, e busque se tornar influencias positivas em nossa sociedade.

Transmitir esses valores em um mundo tão diferente tem seus desafios, mas aqueles que desencavaram os celtas das entrelinhas dos livros de histórias, com toda a dificuldade de informação, dentre tantas outras opções mais vastas, mais acessíveis, com toda a porosidade de dados, pra mim ”receberam o chamado”, já estão predestinados de alguma forma e sentem que parte de si ainda pertence, anseia esse mundo céltico distante (onde valores se mantinham sob adversidades, espírito e caráter se fundiam, conduta e fé...) e buscarão adaptar esses valores ao mundo de hoje, seja pelos grupos druídico, blogs, livros, insights, cursos como for. Haverá os curiosos, os turistas da tradição, mas sempre haverá quem se comova com as virtudes norteadoras dessas sociedades e que as manterão vivas.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Qua Dez 09, 2015 5:23 pm

Cintia.freitag escreveu:1. Acredito que a busca pela cultura Celta vem ao encontro do anseio que sentimos em nos conectar mais com a natureza. Busco o resgate de valores Celtas, pois fui criada num modelo de sociedade diferente, no qual honra, palavra e coragem são valores muito importantes e cultivados. Quando me mudei e saí da região na qual nasci, sofri muito. Até hoje ainda sofro, pois não consigo aceitar e achar normal a banalização da palavra, a falta de honradez e essa mania de burlar as regras. Quanto mais eu leio e conheço a cultura Celta, maior é a paz que sinto e comprendo que o mundo seria melhor se os valores Celtas estivessem na base da sociedade.

2. Penso que o papel dos Druidas modernos não tenha mudado em relação ao papel que tinham na era de ouro celta. O que mudou é o desafio de aumentar a penetrabilidade das tradições, pois o mundo necessita aumentar sua conexão com a natureza e resgatar valores éticos e morais. Julgo que neste momento a missão Druida é reinserir a as bases da tradição Celta na sociedade moderna.

Boa tarde, Cintia; desculpe a demora, vamos às suas respostas:

[1] Bem percebido, a busca pela reconexão com a natureza é a base principal do Druidismo. É verdade que ainda há regiões onde se respeitam os velhos valores da tradição, mas eles diminuem cada vez mais; por isso é importante entender que eles são parte de um contexto cultural e espiritual que não precisava ser esquecido pelo mundo, e que pode ser trazido de volta. Mesmo que através de um passo de cada vez...

[2] Perfeito. Trazer a reinserção de tais valores, tanto os de respeito à natureza quanto os de respeito à própria comunidade (Honra, Coragem, Hospitalidade, Cortesia...) é, de fato, um papel do Druida, e ele o deve fazer através do exemplo e do ensinamento. Para isso ele precisa de conhecimento sólido e não pode ficar perdido em banalizações ou fantasias. Através do conhecimento sólido é possível chegarmos à conclusão do que é apropriado e o que não é, daquilo cuja ausência é daninha à nossa sociedade atual e o que não é.

Parabéns.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Ariana Mauricio em Qua Dez 09, 2015 8:08 pm

Gente, só vi esse tópico hoje porque fui avisa por email pelo Wallace. Desculpem a pisciana =D

Lá vai, tá um pouco longo:

1.
Primeiro, é preciso nos livrar do termo “bárbaro” quando falamos de culturas não-clássicas, seja atualmente ou no passado, uma vez que esse foi um termo extremamente pejorativo cunhado para desclassificar sociedades que estavam fora do parâmetro clássico de civilidade. Aos olhos dos historiadores clássicos, a forma de organização dessas sociedades causavam estranhamento e, muitas vezes, eram incompreendidas.

Dito isto, então, não considero um paradoxo se identificar com uma determinada cultura, mesmo sendo ela muito antiga e considerada “bárbara”. Principalmente se seus ensinamentos são universais, atemporais e ainda contemporâneos. Portanto, reconhecer o modo de vida celta, suas virtudes, seus ensinamentos e jogar luz, historicamente falando, sobre seu passado é entender a história e mesmo a vida sob outra perspectiva.

Ainda hoje vemos exemplos de culturas indígenas no Brasil e no mundo sendo classificadas como não-civilizadas, provando que não é exclusividade dos celtas esta definição. O mundo contemporâneo está bem diferente do mundo da Idade do Ferro, principalmente em termos tecnológicos, mas seus dilemas continuam, em certa medida e dadas as proporções, os mesmos. Quando nos identificamos com os celtas, não estamos necessariamente nos identificando com o passado, mas com os seus valores.

P.S: Entretanto, não saberia responder o porquê de nos identificarmos com a cultura celta especificamente dentre muitas outras culturas antigas sem que faça alguma ressalva espiritual. Lembro-me que a cultura e religiosidade celta saltou-me os olhos muito antes da sua história, dos seus feitos e de seus costumes fazerem sentindo para mim. Tudo o que eu tinha era o nome de alguns deuses e um monte de misticismo barato de banca de revista, misturado com toda a sorte de crendices e superstições. Eu queria saber mais, historicamente falando, dessa cultura, mas algo em mim já pululava toda a vez que ouvia a palavra “celta”.


2.
O Druida era essencial na cultura celta. Representava múltiplos papéis e era o pilar da organização social. Acredito que também o é o Druida moderno. Seu trabalho, entretanto, é bastante árduo, uma vez que precisa resgatar ensinamentos da tradição céltica e conectar com o tempo no qual estamos vivendo.

Se manter a tradição já é difícil frente a velocidade de mudanças que passamos, resgatar elementos de uma tradição que foi interrompida não é tarefa fácil, já que temos limitações de dados, fatos, língua, conhecimentos, enfim, uma infinidade de coisas. Por isso a necessidade de estudos históricos paralelos ao treinamento espiritual. É preciso entender quem foram os celtas e chegar mais próximo do seu modus operandi, não como uma tentativa de imitar o passado, mas para compreender, transcender seus limites, resgatar seus ensinamentos e preservar sua essência.

É tarefa dos Druidas modernos, talvez, fazer essa ponte entre o ontem e o hoje de forma sóbria e preservar não só o passado, mas também o presente e o futuro, já que, uma vez que tenhamos jogado luz sob essas informações é preciso ainda decidir o que fazer com elas.

Acredito que esse seja o papel do druidismo moderno: percorrer o caminho dos nossos antepassados, resgatar a essência antiga e trabalha-la na contemporaneidade, respeitando e aprendendo com as diversas interpretações desses ensinamentos, bem como zelar pelas suas raízes. Quanto a forma a ser passada, creio que cada grupo encontre um caminho específico, respeitando elementos históricos e comparando saberes com outras culturas semelhantes.
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Re: Messus: Primeira Aula

Mensagem por Cunobelinos em Qui Dez 17, 2015 2:48 am

Thiago Widugenos escreveu:Questão 1:    

    Porque nos identificar com os povos celtas? É uma pergunta fácil e difícil de se responder.
    Difícil quando observado pela ótica judaico cristã atual que, principalmente nos relatos romanos, enxerga os celtas como um conjunto de povos bárbaros, adeptos à sacrifícios sanguinários e terríveis aos olhos do mundo moderno. Entretanto, como é bem sabido, a história é contada pelos "vencedores".
    Citando Pedro  Pablo em seu livro Os Mitos Celtas:

"Se os romanos se apropriaram da história, os celtas se refugiaram no mito".

    Já em relação a nos identificarmos com os celtas, vemos no mito os ideais de bravura, com um alto sendo de justiça, sua honra, hospitalidade, lealdade, o amor a sua tribo e a sua terra.
    A sua dedicação para alcançar a perfeição no exercício dos ofícios, moldando como o Super-homem descrito por Nietzsche.
    O ideal céltico de vida continua a ecoar dentro de nós como o canto de nossos ancestrais, contidos no nosso DNA e eclodindo para o mundo moderno.


Questão 2:

“Três deveres de um druida:

curar a si mesmo;

curar a comunidade;

curar a Terra.

Pois se assim não fizer, não poderá ser chamado de druida."

    Essa Tríade da Bretanha nunca foi tão necessária ao mundo moderno, ainda mais em meio a uma crise moral, ética, espiritual, ecológica, política e civilizatória.
    O papel do druida vai muito além do papel do "mago barbudo" dos livros infanto-juvenis.
    Ao meu entender, o druida, hoje, além da missão de reconstrução e adaptação da religião céltica à transportando para o mundo contemporâneo, eliminando elementos "esquisiotéricos" e recontextualizando uma tradição vivaz e altiva deve também ter orgulho de suas raízes como uma religião étnica.
    O druidismo necessita reconstruir na estrada do hoje a participado ativa e comunitária na resolução das mazelas humanas, comuns a todos os seguidores de qualquer fé. O druida como sacerdote, filósofo, teólogo deve atuar como conselheiro para aqueles que procuram apoio psicológico e espiritual. O druida deve ser referência da comunidade como um virtuoso e sábio, sempre disposto à entrega em prol da mesma.
    O caminho do sacerdócio moderno deve ser trilhado a favor da grande comunidade de vida da Terra, zelando pela restauração dos processos ecológicos e fazendo disso seu dever sagrado, mantendo a ordem e equilíbrio sobre o caos como nos foi ensinado pelos deuses e ancestrais.

Boa noite, Thiago, peço desculpas pela demora, mas os preparativos para o Solstício de Verão estão tomando muito do meu tempo; mas vamos a elas:

[1] Perfeito, Thiago, a busca pelos valores antigos dos Celtas na busca nos elevar enquanto entes na sociedade é uma das prerrogativas mais importantes do Druidismo. E a honra à ancestralidade é um desses valores, devendo ser lembrado que os Celtas fazem parte dessa ancestralidade tanto quanto os povos Clássicos. Os Celtas foram os primeiros mestres do Ocidente, e nós, como filhos da civilização ocidental, os temos como nossos ancestrais culturais.

[2] Muito bom, Thiago, esses são os deveres clássicos do Druida; manter a tradição e adapta-la, de modo que não seja perdido o seu cerne, o seu íntimo. O Druidismo deve ser adaptado e ressignificado ao mundo moderno, sim, deve; mas não deve nunca perder aquilo que o torna o Druidismo, ainda deve ser reconhecido como aquilo que pode ser chamado de Druidismo. E manter esse pensamento Animista, de integração com a Terra, é uma das formas de manter o Druidismo vivo, adaptado, ressignificado, mas ainda sem perder aquilo que o torna Druidismo. Parabéns.
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