Liturgias Rituais

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Liturgias Rituais

Mensagem por Cunobelinos em Qui Out 22, 2015 5:33 am

O Ramo de Carvalho tem o hábito de utilizar uma liturgia específica para os seus ritos sazonais;apesar disso, essa liturgia (que é, em partes, inspirada pela liturgia ritual da ordem druídica norte-americana ADF), ela não é a única e nem mesmo precisa ser fixa para o Ramo. Em verdade, ela pode incluir e ou retirar partes, ou mudar completamente de forma, dependendo dos celebrantes do ritual.

A Ordem Ritual padrão que o Ramo de Carvalho tem seguido é basicamente essa:

1. Abertura do Ritual / Afirmação do Propósito:
2. Centramento:
3. Aplacar dos Forasteiros:
4. Abertura do Portal:
5. Invocação das Três Famílias
a) Ancestrais
b) Espíritos da Natureza
c) Deuses
6. Atividades Específicas de Cada Ritual
7. Verificação dos Oráculos
8. Eisteddfodd
9. Fechamento

Pessoalmente, acredito que um rito de novo partes é auspicioso para a prática druídica; mas o que vocês mudariam. O que acrescentariam ou retirariam de suas próprias cerimônias?
Abaixo, postarei exemplos de outras liturgias rituais druídicas, vindas de outras linhas.
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Liturgia Ritual de Manuel Araújo

Mensagem por Cunobelinos em Qui Out 22, 2015 5:39 am

Essa liturgia foi pensada por Manuel Araújo, reconstrucionista português que tem me ajudado muito com a Keltikâ Labarâ; sua liturgia tem teores reconstrucionistas mais fortes, mas ainda é bela e plena de significados:

1- Preparação

a) Todos os participantes terão de estar lavados e vestidos com roupas limpas anteriormente à entrada no *nemeto-. Os sacerdotes deverão vestir uma túnica branca.
b) Todos se encontrarão no exterior do recinto do santuário trazendo consigo todos os materiais necessários e oferendas.
c) Uma vez que todos estejam reunidos, os sacerdotes lideram uma procissão até ao interior do recinto.


2- Circumambulação

a) Os participantes, liderados pelos sacerdotes, darão três voltas - em sentido horário - ao interior do recinto, enquanto que instrumentos musicais são tocados (preferencialmente de sopro e tambores).
b) Após a terceira volta, todos se dirigem até à zona do templo (*φarawsyo-).


3- Acender o fogo e consagrar a água

a) Uma vez que todos estejam na zona do templo, um *wāti- ou mais, acende o *aydu- enquanto entoa um hino à Deusa apropriada.
b) Após este se acender, deverão ser oferecidas três coisas: sal, uma bebida alcoólica e pão.
c) O sacerdote pega no recipiente com água e apresenta-o ao fogo, enquanto diz uma prece a pedir que as águas sejam abençoadas. Após a prece, o sacerdote pega num ramo (de carvalho, idealmente) e acende-o no fogo, mergulhando-o no recipiente.


4 - Pruficação dos participantes

a) Um a um, ou em pequenos grupos, todos os participantes se aproximam do fogo, estendendo as mãos a este, e pedem a sua própria purificação.
b) Algo semelhante será feito em relação ao recipiente de água; cada participante deverá lavar as mãos, face e testa.
c) O ramo deverá ser atirado para as chamas, enquanto que a água deverá se deixada fora do recinto e vertida no solo.


5- Hinos de hospitalidade

a) Os *bardoy cantarão hinos de boas-vindas e louvor aos Deuses de modo a convidá-los a comparecerem aos ritos em sua honra.


6- Tradições do festival

a) Nesta fase, serão praticadas todas as tradições rituais associadas ao festival em questão.


7- Sacrifício

a) São deixados os sacrifícios principais.
b) Parte dos fluídos que resultarem dos sacrifícios deverão ser recolhidos num recipiente, que será usado - juntamente com outro ramo (novamente, idealmente de carvalho) - para aspergir os ídolos (*delwās).
c) As oferendas comestíveis deverão ser repartidas com os Deuses, deixando-se-lhes as extremidades (na Antiguidade eram as cabeças e membros de animais).
d) É nesta altura que os participantes poderão deixar as suas próprias oferendas e preces, sob supervisão dos *dru-weydes e *wātīs.


8- Presságios

a) Após sacrificar, o *wāti- deverá inquirir aos Deuses se a oferta foi aceite, da forma mais apropriada ao rito e altura do dia em questão.
b) Os resultados da consulta serão declarados a todos, preferencialmente soba forma de poema profético (*wātu-).
c) Caso uma ou mais oferendas não tiverem sido aceites, há que repetir o processo.


9- Banquete

a) Nesta fase, o rito em si terminou, restando apenas cozinhar - no *aydu ou não - as oferendas comestíveis, se necessário; caso seja preciso cozinhar, uma parte será ofertada à Deusa do fogo.
b) A comida é repartida por todos os participantes.
c) Os restos resultantes devem ser deixados no local apropriado; caso sejam biodegradáveis, devem ser deixados numa cova menor e não na principal usada para oferendas.
d) Sob orientação dos sacerdotes, os participantes despedem-se dos Deuses e demais "convidados" e abandonam o recinto, que deverá ser fechado ao público.
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Liturgia Ritual da Ordem Druídica do Brasil

Mensagem por Cunobelinos em Qui Out 22, 2015 5:41 am

Por Robert Kaucher, para a Ordem Druídica do Brasil; cedido para o Ramo de Carvalho por Megan Dw, e publicado com a permissão do autor.
Instrumentos Rituais Básicos:
Caldeirão
Chifre ou Cálice
Fogo Sagrado (pode ser uma vela de cera de abelha)
Duas velas brancas para o altar
Craobh airgid (Ramo de Prata)
Recipiente para oferendas
Recipiente para água
Preparação:
O espaço ritual e o altar devem ser preparados e decorados de acordo com a cerimônia a ser celebrada. Se for uma celebração de Bealtaine deve-se usar flores, se for uma celebração de Samhaim, então maçãs, nozes e outros frutos do autor devem ser escolhidos. Encha o caldeirão com água. Um “portal” deve ser feito no leste. O altar deve estar direcionado para o leste.
Centramento
Meditação de centramento e recitação do Poema de Amhairghen.
Como se Centrar
Se você estiver familiarizado com trabalhos mágicos, isto não será nenhuma novidade para você, embora a técnica usada pela ODB seja um pouco diferente das técnicas ensinadas por outras tradições mágicas. Essa técnica se baseia no que é ensinado pela ADF, que por sua vez é baseada nas tradições cosmológicas dos três reinos.
É importante lembrar que, para alcançar o estado mental correto, você deve ser capaz de se concentrar completamente neste exercício; esqueça o seu trabalho e quaisquer problemas mundanos que você tenha.
Sente-se confortavelmente. Relaxe e comece a respirar lenta, mas profundamente. Imagine que, abaixo de você, nos mundos inferiores há um grande lago de energia negra e fria. É a fonte da intuição e da fertilidade. Imagine que você pode ver e sentir a energia se movendo. Agora imagine sobre você, no mundo celestial, um grande lago de energia dourada quente. É a fonte do intelecto e da ambição. Imagine que você pode ver e sentir a energia se movendo. Levante as suas mãos aos céus e imagine que você é o grande bile – o ponto de ligação entre o nosso mundo e os outros. Sinta estas duas energias começando a fluir através de você – a energia dourada através das suas folhas e ramos, a energia negra através das suas raízes. Elas se encontram e se unem no seu coração, de forma semelhante a uma espiral celta com dois braços. Você agora deve estar preparado para começar o seu trabalho mágico.
Toque o Craobh Airgid três Vezes
Centre-se
Recite o Poema de Amhairghen
Consagração da Água
Sente-se em frente ao caldeirão e assuma a postura de consagração.
Beannaím an t-uisce seo le neart na nDéithe uilig agus le solas an tsaoil eile!
Eu consagro esta água com o poder de todos os Deuses e com a luz do Outro Mundo!
Acendendo o fogo sagrado
Lasaim an tine seo i láthair déithe mo thuaithe agus mo mhuintire, mar shimbail an tsolais diaga.
Eu acendo este fogo na presença dos Deuses da minha tribo e dos meus ancestrais, como um símbolo da luz divina.
Purificação do espaço ritual
Toque o craobh airgid três vezes.
Coloque um pouco de água no recipiente reservado para este fim. Circunde o espaço três vezes em deosil, espargindo água ao redor dele.
Circunde com uma tocha ou vela acesa pelo fogo sagrado. Diga:
Glanaim an áit seo le solas na gréine. [glan@m @n awtch sho le sol@s n@ gren@]
Glanaim an áit seo le solas na nDéithe. [glan@m @n awtch sho le sol@s n@ neh@]
Glanaim an áit seo le solas an tsaoil eile. [glan@m @n awtch sho le sol@s @n til el@]
Eu purifico este local com a luz do sol.
Eu purifico este local com a luz dos deuses.
Eu purifico este local com a luz do outro mundo.
Invocação dos Deuses dos Quatro Quadrantes
Leste: an tOirthear:
Iompaím soir, go dtí Muirias. [impeem sir g@ djee Múr@s]
Eu me volto para o Leste, para Muirias.
Dún na farraige, [Doon@ farr@g@]
Dún an ratha [Doon@ rah@]
Dún na háilleachta [Doon@ hawl@Xt@]
Baile don Tiarna Saibhris, [bal@ d@n Tchirn@ savrish]
Tiarna báistí, [Tchirn@ bawstchee]
Tiarna an bhradáin [Tchirn@ vradawn]
a ollathair, tar anocht! [@ owllah@r, tar anoXt]
Forte do mar
Forte da prosperidade
Forte da beleza
Forte do rico senhor
Senhor da chuva
Senhor do salmão
Oh grande pai, compareça nesta noite!
Sul: an Deisceart:
Iompaím ó dheas, go dtí Fáilias.
Eu me volto para o sul, para Fáilias
Dún Fáil [doon fawl]
Dún na Leaca [doon@ lek@]
Dún na Máthar [doon@ mawh@r]
Baile don bhanríon mhór, [bal@ d@n vanreen wor]
Banríon na síthe [banreen n@ sheeh@]
Banríon chumhachta [banreen Xuw@Xt@]
Banríon fáidheadoireachta [banreen fawyedor@Xt@]
a mhathair naohm, tar anocht! [a wah@r neev..]
Forte de Fáil
Forte da rocha
Forte da mãe
Lar da grande rainha
Rainha das colinas das fadas
Rainha do poder/autoridade
Rainha da profecia.
Oeste: an tIarthar
Iompaím siar go dtí Goirias
Eu me volto para o oeste, para Goirias
Dún an tSolais [doon @ tol@sh]
Dún Teasa [doon tchess@]
Dún Feasa [doon fessa]
Baile don Tiarna Ioldánach leis an ga. [bal@ d@n tchirn@ ildawn@X lesh @ gah]
Tiarna na nÉigse ‘s na bhFilí [tchirn@ n@n neygs@ s n@ vilee]
Tiarna na nDraoithe ‘s na Naomh [tchirna na nreeh@ s n@ neev]
Tiarna na gCeardaithe ‘s na Saor [tchirna na gerd@h@ s n@ seer]
A Fhionnghil, tar anocht [@ inyil, …]
Forte da luz
Forte do calor
Forte do conhecimento
Lar do talentoso senhor da lança
Senhor dos Sábios e dos poetas
Senhor dos Druidas e dos santos
Senhor dos artesãos.
Oh nobre guerreiro, compareça esta noite.
Norte: an Tuaisceart
Iompaím ó thuaidh, go dtí Finnias
Eu me viro para o norte, para Finnias.
Dún na dTréan,[doon n@ dreyn]
Dún na nGaiscíaígh, [doon n@ngashcee@]
Dún na ndaoine cróga, [doon na neen@ crog@]
Baile don Tiarna na gCathanna, [bal@ d@n tchirn@ n@ gathannee]
Tiarna Bua [tchirna boo@]
Tiarna Cogaí [tchirna kogy]
Tiarna Claímh. [tiarna klee]
A Laoich, tar anocht!
Forte dos Guerreiros
Forte dos Heróis
Forte dos bravos
Lar do senhor da batalha
Senhor da vitória
Senhor da guerra
Senhor da espada
Oh Guerreiro, compareça esta noite!
Invocação de todos os deuses
Ao acender as duas velas do altar, diga:
A Dhéthe, mo Dhéithe, Dhéithe draíochta – Dhéithe na Neimhe, Dhéithe na Talún, Dhéithe na Mara, taraigí anocht!
Oh Deuses, meus Deuses, Deuses do Druidismo –Deuses do Céu, Deuses da Terra, Deuses do Mar, compareçam esta noite!
Afirmação do objetivo do ritual
Ritual e oferendas
Ambos os passos acima serão diferentes em cada ocasião.
Agradecimento
Tocar o craobh airgid cinco vezes.
Antes de apagar as velas do altar, dizer:
A Dhéithe, gabhaimid buíochaos libh as bhur mbeannachtaí agus as bhur gcairdeas. Go raibh maith agaibh!
Oh Deuses, nós agradecemos pelas suas bênçãos e pela sua amizade. Obrigado!
Nos quadrantes:
Slán Leat! (Falar vibrando)
Adeus!

Aterramento
Uma proclamação em voz alta de que o rito chegou ao seu final e uma reversão da visão dos mundos que foi feita no centramento. Qualquer energia extra deve ser transferida para a Terra.

Antecedentes Mitológicos e Tradicionais
A estrutura principal deste rito seja baseado em conceitos neopagãos, e as associações mitológicas e cosmológicas aqui aplicadas podem ser encontradas em vários artigos da página da ODB (e do Ramo de Carvalho), e em mensagens que eu tenho enviado para listas de discussão na internet. Conforme afirmado no texto, a visualização de centramento é baseada na que é feita pela ADF. As invocações dos quadrantes são baseadas nas invocações dadas por Alexei Kondratiev em seu livro altamente recomendável The Apple Branch. O texto da Invocação de todos os Deuses é baseado livremente em partes do rosc (poema) recitado porMug Ruith em sua batalha contra os Druidas de Cormac mac Airt.
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Re: Liturgias Rituais

Mensagem por Paulo Gibaldi em Sab Nov 07, 2015 2:35 am

Achei bem interessante.
Eu nunca fiz uma celebração estruturada dessa maneira, sempre fui mais espontâneo e mais informal já que sempre fiz tudo sozinho. Já tive algumas tentativas de criar uma liturgia própria pq de certa forma não me sentia mais confortável com a minha prática atual.
Vou tomar essas como base na próxima Very Happy

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Re: Liturgias Rituais

Mensagem por Cunobelinos em Seg Nov 30, 2015 6:29 pm

Paulo Gibaldi escreveu:Achei bem interessante.
Eu nunca fiz uma celebração estruturada dessa maneira, sempre fui mais espontâneo e mais informal já que sempre fiz tudo sozinho. Já tive algumas tentativas de criar uma liturgia própria pq de certa forma não me sentia mais confortável com a minha prática atual.
Vou tomar essas como base na próxima Very Happy

Uma verdade, Paulo: as liturgias aqui apresentadas são exemplos. Cada dia mais me torno avesso a uma liturgia 'fixa', pois acredito em um Druidismo fluído, orgânico e vivo, não em uma espiritualidade gravada em pedra. Acredito que ela deve ter liberdade para crescer e se transformar de acordo com as necessidades, e a prova disso é a enorme multiplicidade de tradições druídicas que temos no mundo. Mas apresentarei outros exemplos de liturgia também, alguns bem mais simples, outros mais complexos. E qual utilizar? Todas? Nenhuma? Por que não criar a sua própria? Cool
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Re: Liturgias Rituais

Mensagem por Juliana Couto em Sex Dez 04, 2015 4:45 pm

Adorei a Idéia da Circumamblação e das Rosc, se bem que já usamos algo similar ao chamar as 5 provincias, mas eu os incorporaria em definitivo em nossos ritos.
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Re: Liturgias Rituais

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